Dilma Rousseff acusa Pedro Bial de machismo por críticas a Petra Costa

Ex-presidente criticou apresentador por dizer que cineasta é uma 'menina' que cumpriu 'ordens de mamãe'

Ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Foto: Roberto Stuckert Filho

Ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Foto: Roberto Stuckert Filho

Política

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) acusou o jornalista Pedro Bial de ter cometido “grosseria misógina e sexista” contra a cineasta Petra Costa, autora do documentário Democracia em Vertigem, indicado ao Oscar 2020.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, o ex-apresentador do reality show Big Brother Brasil disse que deu “muita risada” com a obra e opinou que a narração de Petra Costa é “miada”, “insuportável” e que fica “chorando o filme inteiro”. Ele ainda afirmou que a história contada pelo documentário é “ficção alucinada” e “mentirosa”.

“É um filme de uma menina dizendo para a mamãe dela que fez tudo direitinho, que ela está ali cumprindo as ordens e a inspiração de mamãe, somos da esquerda, somos bons, não fizemos nada, não temos que fazer autocrítica. Foram os maus do mercado, essa gente feia, homens brancos que nos machucaram e nos tiraram do poder, porque o PT sempre foi maravilhoso e o Lula é incrível”, disse Bial.

Em uma sequência de publicações no Twitter, Dilma Rousseff também criticou a Secretaria de Comunicação da Presidência da República por divulgar um vídeo institucional para atacar Petra Costa. Na segunda-feira 3, o governo veiculou uma propaganda contra a artista, chamando-a de “militante anti-Brasil”.

 

“Como se não bastasse a grosseria misógina e sexista de Bial contra Petra Costa, ao chamá-la de menina insegura em busca de aprovação dos pais, a candidata brasileira ao Oscar com o filme Democracia em Vertigem foi vítima de intolerável agressão oficial do governo Bolsonaro”, escreveu a ex-presidente.

Dilma considerou que Bolsonaro desrespeitou a liberdade de expressão e disse que o presidente é machista e apoiador de ditaduras.

“A Secretaria de Comunicação da Presidência exibiu um vídeo, feito com dinheiro público, para ofender uma artista brasileira apenas porque exerceu o inalienável direito de criticar o governo numa rede de TV. Trata-se de censura e de brutal desrespeito à liberdade de expressão”, publicou. “Petra foi até serena na escolha das palavras, ao dizer uma pequena parte do que os brasileiros e o mundo já sabem: o Brasil é governado por um machista, racista, homofóbico, inimigo da cultura, apoiador de ditaduras, da tortura e da violência policial, e amigo de milicianos.”

A petista também disse que a Secom “usa a máquina pública para incitar ódio contra uma artista”, mas diz que Petra a “enche de orgulho”, por ser “mulher, talentosa, representar o país no Oscar e ter feito um filme que desmascara o golpe do impeachment ilegal de 2016 que levou o Brasil ao desastre chamado Bolsonaro”.

O ex-presidente Lula também protestou. Em texto publicado nesta segunda-feira 4, o petista escreveu que “Bolsonaro age à revelia da verdade” e prestou solidariedade a Petra Costa.

“Bolsonaro age à revelia da verdade, usando a estrutura do governo para atacar a cineasta Petra Costa. A perseguição à cultura é método dessa gestão. Minha solidariedade a Petra pela coragem em narrar os fatos em tempos de guerra à verdade”, disse o petista.

A obra de Petra Costa concorre na categoria “Melhor Documentário” com os filmes For Sama, Honeyland, Indústria Americana e The Cave. A cerimônia do Oscar ocorre no domingo 9, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

No documentário, a cineasta retrata o processo de impeachment de Dilma Rousseff, com imagens íntimas da ex-presidente e de Lula, durante a crise no governo petista.

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Repórter do site de CartaCapital

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