Política

Deputado bolsonarista apresenta projeto para legalizar milícias de ‘justiceiros’ no Rio

A proposta prevê pagamento por prisão realizada e permite que o Estado banque eventuais gastos dos ‘guardiões’ com advogados

Este é o deputado estadual Anderson Moraes, autor da proposta — Thiago Lontra / Alerj
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O deputado estadual pelo Rio de Janeiro Anderson Moraes (PL) apresentou à Assembleia Legislativa um projeto de lei para legalizar milícias de “justiceiros” no estado, após grupos divulgarem ações de repressão contra suspeitos de cometer crimes nas ruas de Copacabana, zona sul da capital fluminense. A proposta foi protocolada em 6 de dezembro.

Intitulado Programa Guardião da Segurança Pública, o plano seria executado por “cidadãos praticantes de artes marciais ou ex-agentes de segurança pública ou privada”, com o objetivo de reforçar o policiamento “em áreas com altos índices de roubos e furtos”.

A proposta também prevê pagamento por cada prisão realizada e permite que o Estado banque eventuais gastos dos “guardiões” com advogados.

Caberá aos órgãos de segurança pública, diz o texto, capacitar os integrantes das milícias e prover equipamento adequado para “imobilização do criminoso e comunicação imediata às delegacias de polícia”.

O projeto é apresentado em meio ao avanço da criminalidade em bairros da zona sul do Rio, que assistem a roubos e furtos diários. Com o intuito de se vingar, um grupo, denominado “justiceiros”, foi criado para sair às ruas e enfrentar supostos assaltantes.

As ações viralizaram nas redes sociais no início desta semana e são alvo de investigação da Polícia Civil. Há imagens de grupos de homens agredindo pessoas em situação de rua.

Conversas captadas pelo WhatsApp sugerem que o grupo é formado por lutadores e pessoas interessadas em colocar “ordem” no bairro. Em outro trecho, supostos moradores da região dizem que a estratégia é agredir o máximo possível de assaltantes.

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