Datafolha: Bolsonaro mais atrapalha do que ajuda na crise do coronavírus, dizem 51%

Nordeste é a região com mais entrevistados que acreditam na afirmação. Mandetta, da Saúde, ganha destaque em combate ao vírus

O presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (Foto: Marcos Corrêa/PR)

O presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Política,Saúde

As recentes investidas de Jair Bolsonaro contra seus próprios ministros, contra as recomendações sanitárias mundiais e à favor do retorno ao trabalho fizeram com que 51% dos entrevistados da última pesquisa Datafolha, divulgada neste sábado 04, acreditem que o presidente do Brasil mais atrapalha do que ajuda no enfrentamento da pandemia.

Outros 40% discordam da afirmação, mas ainda não são o suficiente para combater a escalada de desaprovação do presidente, que tem sido mal avaliado, segundo os dados divulgados pela mesma pesquisa.

Só na região Nordeste, 57% dos eleitores acreditam que o presidente atrapalha a gestão de crise de saúde. Lá, ele é avaliado como ruim ou péssimo por 42% dos entrevistados. O levantamento ouviu 1.511 pessoas por telefone, para evitar contato pessoal, e tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou menos.

Segundo o Datafolha, a popularidade do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disparou nas últimas semanas e atingiu uma porcentagem maior que o dobro da aprovação do presidente. No começo da crise, o Datafolha verificou, entre 18 a 20 de março, que as ações do Ministério da Saúde eram aprovada por 55%. Agora, o número saltou para 76%, enquanto a reprovação caiu de 12% para 5%.

No mesmo tempo em que seu ministro se destaca, o presidente Jair Bolsonaro viu sua reprovação aumentar  de 33% para 39%. Foi a maior reprovação já alcançada por Bolsonaro desde que assumiu o cargo. A aprovação segue estável (33% ante 35%), assim como a avaliação regular (26% para 25%), considerando a margem de erro.

Além disso, a pesquisa mostrou que Bolsonaro é mais mal avaliado por mulheres (43%), pessoas com curso superior (50%) e mais ricos (acima de 10 salários mínimos mensais, 46%).

“Médico não abandona paciente”

Após ser criticado por Bolsonaro em mais de uma ocasião, Mandetta respondeu a questões indagando se ele sairia do cargo. Frente a isso, declarou que “médico não abandona paciente”. Ele comparou sua relação com Bolsonaro à que um médico estabelece com a família do paciente. Ao chamar o paciente de “Brasil”, ele afirmou que considera normal que as pessoas ao redor, preocupadas, discutam com o médico sobre as decisões do tratamento.

“Eu entendo que as reações são assim. Não é nada desconfortável”, avaliou o ministro. Em sua observação, “há uma vontade muito grande de acertar” por parte de Bolsonaro, mas “o paciente manifesta qual é a sua vontade” em relação ao tratamento.

Mandetta prevê “20 semanas duríssimas” para o Brasil, em especial, no mês de maio. O ministro aponta ainda perigo no período de inverno, quando outras epidemias devem aparecer. Ele frisou que não há vacina, nem remédio que pode ser utilizado em larga escala para tratamento da doença.

Em um relatório divulgado à imprensa neste sábado 04, o Ministério demonstra preocupação com um crescimento desenfreado da epidemia em alguns estados brasileiros, e afirma que o País não possui a estrutura médica necessária – em profissionais e equipamentos – para encarar a crise no momento.

“Há carência de profissionais de saúde capacitados para manejo de equipamentos de ventilação mecânica, fisioterapia respiratória e cuidados avançados de enfermagem direcionados para o manejo clínico de pacientes graves de COVID-19 e profissionais treinados na atenção primária para o manejo clínico de casos leves de Síndrome Gripal.”, diz o texto do documento. “Os leitos de UTI e de internação não estão devidamente estruturados e nem em número suficiente para a fase mais aguda da epidemia.”

Alertou ainda que não há possibilidade para a realização de testes na velocidade em que a proliferação se apresenta. O Ministério da Saúde também não tem como garantir o isolamento para pessoas aglomeradas em favelas e comunidades carentes, salientou.

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