Damares diz que criança estuprada no ES deveria ter feito cesárea

A menina de 10 anos foi submetida a um aborto garantido por lei em casos de estupro, risco de vida para a mãe e anencefalia do feto

A ministra Damares Alves. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A ministra Damares Alves. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Política

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, disse que a menina que engravidou após sofrer estupro do tio dos seis aos dez anos, no Espírito Santo, deveria ter levado a gravidez adiante e feito uma cesárea. A declaração foi dada durante participação da ministra no programa “Conversa com Bial”, da TV Globo, na madrugada da sexta-feira 18.

 

“Os médicos do Espírito Santo não queriam fazer o aborto, eles estavam dispostos a fazer uma antecipação de parto. Seriam mais duas semanas, não era ir até o nono mês, a criança [não iria] ficar nove meses grávida. Mais duas semanas e poderia ter sido feito uma cirurgia cesárea nessa menina, tiraria a criança, colocaria em uma incubadora e se sobrevivesse, sobreviveu. Se não, teve uma morte digna”, declarou.

Para conseguir o aborto legal, previsto em lei em casos de estupro, risco de vida para a mãe e anencefalia do feto, a criança teve de ser levada para Recife (PE). O procedimento foi realizado no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), depois de ser negado pelo Hospital Universitário de Vitória.

O aborto foi realizado pelo Dr. Olímpio Moraes Filho, após autorização do juiz Antonio Moreira Fernandes, da Vara de Infância e da Juventude de São Mateus (ES).

No dia do procedimento, grupos de militantes antiaborto protestaram em frente à unidade hospitalar. Dois assessores do ministério de Damares são suspeitos de terem vazado a identidade e a localização da menina e estão sob investigação. No entanto, a ministra disse botar a mão no fogo de que não foram eles os responsáveis pelo delito.

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