Cuba e Venezuela rechaçam declarações de Bolsonaro na ONU

Bolsonaro acusou o governo de Cuba de ditadura e disse que o socialismo está dando certo na Venezuela: todos estão pobres e sem liberdade

Chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez. (Foto: Ministério das Relações Exteriores de Cuba)

Chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez. (Foto: Ministério das Relações Exteriores de Cuba)

Política

O chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez, respondeu aos ataques do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que discursou na abertura da 74ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira 24, em Nova York, nos Estados Unidos. Na ocasião, Bolsonaro acusou o governo de Cuba de “ditadura” e condenou a saída dos médicos cubanos do programa Mais Médicos, no fim de 2018.

A comitiva cubana se retirou da Assembleia ao momento em que o presidente brasileiro fez disparos contra a ilha caribenha. Nas redes sociais, Rodríguez rechaçou as declarações e disse que Bolsonaro deveria se ocupar com a corrupção no Brasil.

 

“Rechaço categoricamente as calúnias de Bolsonaro sobre Cuba e a cooperação médica internacional. Ele delira e anseia pelos tempos da ditadura militar. Deveria se ocupar da corrupção em seu sistema de justiça, governo e família. É o líder do aumento da desigualdade no Brasil”, publicou. O texto foi compartilhado pelo presidente de Cuba, Miguel Diaz-Canel.

Durante discurso, Bolsonaro acusou agentes cubanos de tentarem instituir ditaduras ao redor do mundo.

“Antes mesmo de eu assumir o governo, quase 90% deles deixaram o Brasil, por ação unilateral do regime cubano”, disse. “Deste modo, nosso país deixou de contribuir com a ditadura cubana, não mais enviando para Havana 300 milhões de dólares todos os anos. A história nos mostra que, já nos anos 60, agentes cubanos foram enviados a diversos países para colaborar com a implementação de ditaduras.”

Fascismo desrespeita o meio ambiente, diz Maduro

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, também condenou as acusações de Bolsonaro ao governo bolivariano. Maduro compartilhou um vídeo em que o presidente brasileiro afirma que “é uma falácia dizer que a Amazônia é patrimônio da humanidade”.

“O fascismo mostra seu desrespeito ao meio ambiente, à vida comum e a nossa própria existência no planeta. Expresso minha mais profunda indignação por tais declarações e também minha voz em defesa da nossa Amazônia. Pela humanidade, cuidemos da nossa Pachamama!”, escreveu o presidente venezuelano.

Em seu discurso, Bolsonaro afirmou que o Brasil sente os efeitos da “ditadura venezuelana”.

“A Venezuela, outrora um país pujante e democrático, hoje experimenta a crueldade do socialismo. O socialismo está dando certo na Venezuela: todos estão pobres e sem liberdade. O Brasil também sente os impactos da ditadura venezuelana. Dos mais de 4 milhões que fugiram do país, uma parte migrou para o Brasil, fugindo da fome e da violência”, disse Bolsonaro.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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