CPI da Lava Jato deixa em compasso de espera a das Fake News

Oposição prefere foco em Moro e pediu ao presidente do Senado para segurar o avanço da comissão das milícias digitais

(Foto: Flavio Soares)

(Foto: Flavio Soares)

Política

O interesse da oposição de abrir uma CPI da Lava Jato para investigar a parceria de Sérgio Moro com a força-tarefa de Curitiba deixou em compasso de espera uma outra comissão parlamentar de inquérito indigesta para o governo. A CPI das Fake News deveria ter avançado na terça-feira 11, com a leitura, em sessão conjunta de deputados e senadores, da proposta de criação. Não aconteceu.

Oposicionistas pediram ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), para segurar a leitura. É ele quem comanda as sessões conjuntas, devido ao cargo. O argumento foi que os partidos não teriam força para tocar duas CPIs desse porte ao mesmo tempo. Melhor esperar para saber se vai vingar a da Lava Jato, vista como prioritária.

A CPI das Fake News seria do tipo “mista”, com deputados e senadores. Foi protocolada em 4 de junho pelo deputado Alexandre Leite (DEM-SP). Ele precisava de 171 assinaturas de deputados, conseguiu 276. E de 27 senadores, obteve 48.

No caso da outra, quem coleta as assinaturas é o líder do PDT na Câmara, André Figueiredo (CE). Na terça-feira 11, os presidentes dos principais partidos opositores (PCdoB, PDT, PSB, PSOL e PT) reuniram-se em Brasília para discutir as revelações do Intercept. Decidiram apostar na CPI da Lava Jato. “Os fins não justificam os meios. Juízes não são acusadores”, disseram em nota pública.

Segundo um participante da reunião, cujo nome será preservado, a oposição acredita que essa CPI tem chances de sair por causa do “centrão”, aquela massa partidária direitista e fisiológica. Sozinha a oposição não possui assinaturas suficientes para emplacar a comissão. Com o “centrão”, sim. E este pode ter interesse em dar o troco em Moro, o ministro da Justiça de Jair Bolsonaro.

No mesmo dia da reunião, o Supremo Tribunal Federal (STF) transformou em réus quatro congressistas do PP, um dos expoentes do “centrão”, sob a acusação de formação de quadrilha. O senador Ciro Nogueira (PI), presidente do partido, e os deputados Arthur Lira (AL), líder na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB), e Eduardo da Fonte foram denunciado pela Lava Jato.

Diferentemente da CPI das Fake News, a oposição acha difícil conseguir apoio para abrir uma investigação da Lava Jato que inclua também o Senado. Entre os senadores, o ambiente político é mais favorável a Moro. É por isso que o ministro ofereceu-se para depor no Senado, dia 19, sobre o caso Intercept. Se for à Câmara, encontrará mais hostilidade.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), até aqui deixa correr a ideia de uma CPI da Lava Jato. Tem razões particulares para divertir-se. Deltan Dallagnol, o interlocutor principal de Moro nas conversas comprometedoras, seria alvejado também por uma comissão parlamentar de inquérito. Nada mal para Maia.

Em 24 de março, o chefe da força-tarefa de Curitiba escreveu no Facebook: “Rodrigo Maia pressionou o governo Bolsonaro a distribuir cargos e vantagens aos deputados como condição para aprovação das reformas. Como não conseguiu, começou a criticar o governo e seus principais líderes. Nesse contexto, a pressão das redes sociais contra a velha política será fundamental. #foramaia”.

 

 

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Repórter correspondente da revista CartaCapital em Brasília

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