CPI da Covid quer a condução coercitiva de Carlos Wizard, o ‘Mr. Cloroquina’

O empresário não respondeu às tentativas de notificação; o objetivo do colegiado é aprofundar as apurações sobre o 'gabinete paralelo'

Jair Bolsonaro e Carlos Wizard. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Jair Bolsonaro e Carlos Wizard. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Política

A CPI da Covid tende a pedir à Justiça a condução coercitiva do empresário Carlos Wizard, que não respondeu às tentativas de notificação sobre o seu depoimento ao colegiado, marcado para a próxima quinta-feira 17. Há indicações de que Wizard está nos Estados Unidos.

 

 

O requerimento de convocação do empresário foi aprovado pela CPI no dia 26 de maio. O responsável pelo pedido é o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que ressaltou a importância de aprofundar as apurações sobre o ‘gabinete paralelo’ de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro na pandemia.

Wizard, conhecido por fundar uma rede de escolas de idiomas, atuou como conselheiro do general Eduardo Pazuello durante sua passagem pelo Ministério da Saúde. Em junho do ano passado, foi convidado pelo então ministro a ocupar a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos da pasta, mas não chegou a assumir o cargo.

A desistência veio na esteira de polêmicas e infundadas declarações sobre o novo coronavírus. Em 6 de junho de 2020, afirmou que o governo Bolsonaro não pretendia “desenterrar mortos”, ao rebater as acusações de subnotificação de dados. Também insinuou, sem provas, que estados e municípios teriam cometido fraudes nos números.

“Temos uma equipe de inteligência no ministério. Essa equipe encontrou indícios de que alguns municípios e estados estão inflacionando os dados para receber benefícios federais. Isso é lamentável”, declarou Wizard.

Ao recusar a secretaria, ele pediu desculpas pelas alegações que “tenham sido interpretadas como desrespeito aos familiares das vítimas da Covid-19 ou profissionais de saúde que assumiram a nobre missão de salvar vidas”.

No ano passado, mesmo diante do agravamento da pandemia, não hesitou em defender posições contrastantes com as recomendações de especialistas. Em agosto, em entrevista à IstoÉ, criticou o confinamento, medida de sucesso em diversos países, sob a justificativa de que “o homem, por natureza, é um animal social, e o lockdown, longo e contínuo, provoca problemas psíquicos de difícil cura posterior”.

Na mesma ocasião, defendeu o chamado ‘tratamento precoce’ contra a Covid, o qual supostamente impediria que o paciente evoluísse “da fase um, que é praticamente uma síndrome gripal, para a fase dois ou três, quando precisará ser intubado e usar corticoides, o que pode levar ao óbito”.

Wizard é próximo da médica Nise Yamaguchi, defensora de primeira hora da cloroquina no tratamento contra o novo coronavírus, a despeito da ausência de validação científica.

2021 e a segunda onda da Covid-19 no Brasil chegaram, mas o bilonário Carlos Wizard não mudou o disco. Em entrevista à CNN Brasil em 13 de março, afirmou lamentar “muito o problema de colapso e por resistência do tratamento precoce, que foi recomendado pelo Ministério da Saúde, e que houve tanta resistência”.

Após a reportagem da emissora relembrar a ele que não existe qualquer comprovação de eficácia do ‘tratamento precoce’, Wizard emendou: “Eu acredito, eu sigo, eu defendo e eu pratico. De 15 em 15 dias, eu tomo o meu tratamento profilático, com hidroxicloroquina e ivermectina. Eu tomo vitamina D diariamente”.

Naquela entrevista, ainda afirmou ter sido chamado de ‘Mister Cloroquina’ e, questionado se aprovava o apelido, disse que gosta “de ser chamado de uma pessoa que defende a vida”.

 

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Editor do site de CartaCapital

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