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Como o governo Bolsonaro chegou aos seus piores dias (até agora)

Política

Depois de um começo tortuoso, o governo de Jair Bolsonaro vive uma terceira semana ainda mais complicada. E o pivô da crise é familiar. Flavio Bolsonaro, o filho 01 do presidente, trouxe problemas para perto demais do governo ao pedir para ter foro privilegiado no caso Queiroz (cujas suspeitas ficam cada dia mais incontornáveis).

Houve também rachas internos no PSL e alguns desencontros e recuos na Esplanada. Destaque também para as alianças na Câmara, a aproximação com a Argentina e a reação cada vez mais íntima do governo com a oposição na Venezuela.

Confira:

A ameaça Queiroz

Flavio Bolsonaro em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record

O caso Queiroz foi parar (ou melhor, está parado) no STF. Depois de escapar duas vezes de falar ao MP, Flávio Bolsonaro pediu para ter foro privilegiado no caso que envolve o ex-PM Fabrício Queiroz, seu motorista assessor e amigo de longa data. O ministro Luiz Fux acatou e suspendeu as investigações até fevereiro.

Flavio dizia até então que que quem devia se explicar à Justiça era Queiroz. Ao pedir intercessão do Supremo, acabou passando recibo de envolvimento no caso. A suspeita se confirmaria na sexta-feira 18, quando surgiram as primeiras evidências de malfeitos na conta dele próprio.

Um relatório do Coaf revelado pelo Jornal Nacional, apontou o recebimento de 48 depósitos em espécie, totalizando 96 mil reais em um mês. Todas as transações foram feitas na agência bancária que fica dentro da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) – onde Flavio deu expediente deputado até o ano passado – e sempre no mesmo valor, de 2 mil reais e com diferença de minutos.

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No sábado, o programa revelou que Bolsonaro pagou nessa mesma época um título bancário da Caixa no valor de 1 milhão. O Coaf não identificou o favorecido, nem a data, e nenhum outro detalhe.

Para conter os danos, o senador deu entrevistas para Record e para a RedeTV!. Alegou em ambas que era perseguido e disse que o dinheiro dos depósitos era fruto da venda de um apartamento. E que esse mesmo imóvel fora pago por ele via título bancário, pois a Caixa havia quitado a dívida com a construtora.

A reação dos apoiadores do governo nas redes sociais varia entre silêncio e decepção. Dentro do governo, a tendência é minar o protagonismo dos filhos do presidente. A jogada trouxe o caso definitivamente para dentro do governo. O caso também prejudica as pretensões politicas do próprio Flavio, que chega ao Senado enfraquecido e acuado.

Farra bélica

Na terça-feira 15, Bolsonaro facilitou via decreto a posse de armas (não confundir com o porte, ainda proibido por lei). A canetada acaba com uma das principais regras do Estatuto do Desarmamento, que exigia aos interessados que comprovassem efetiva necessidade de ter um cano fumegante em casa ou no trabalho.

Daqui pra frente, qualquer cidadão maior de 25 anos, com ficha limpa e laudo psicológico é considerado apto pelo governo. E, depois de passar pelo processo junto à Polícia Federal, pode adquirir logo de cara quatro armas. 

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Muito esperada pelo núcleo duro de apoiadores do governo, o decreto foi criticado por especialistas contra e a favor da liberação das armas. De um lado, entidades como o Instituto Sou da Paz apontam o risco de uma escalada da violência. Já os defensores acharam a medida muito tímida e esperam que o Congresso leve adiante a liberação do porte e uma desregulamentação ainda maior.

PSL de Mao a pior

Comitiva do PSL na China: confusão e fogo amigo abrem crise interna (Foto: Reprodução)

O caso mais que mais parece esquete do Zorra Total. Na terça-feira 15, a bancada eleita do PSL partiu em excursão à China comunista. Foram convidados pelo governo chinês para conhecer um sistema de reconhecimento facial e, quem sabe, ajudar a trazer essa tecnologia para o Brasil. Mas o fogo amigo do ‘guru’ Olavo de Carvalho fez abrir a primeira crise da base aliada.

Em vídeo, Olavo de Carvalho enxovalhou os deputados, chamados de ‘caipiras’ e ‘semianalfabetos’, e fez um alerta à sua moda sobre um suposto esquema de espionagem. “Vocês estão entregando o Brasil à China”, disse. Filhos de Bolsonaro e por blogueiros ligados ao governo amplificaram as críticas. Os parlamentares cobraram apoio do governo e insinuaram até chantagem pela Reforma da Previdência. A ver.

Recuos nos ministérios

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, baixou o tom contra as ONGs – ao menos dessa vez. Na segunda 14, ele publicara uma circular determinando a suspensão por 90 dias de todos os contratos e parcerias de entidades e fundos administrados pelo MMA com as ONGs. Dois dias mais tarde, desconversou disse que só os contratos ainda não efetivados seriam suspensos para um ‘pente-fino’.

Também teve volta atrás no Ministério da Educação. A celebrada escalação de um discípulo de Olavo de Carvalho no comando do Enem acabou não saindo do papel. Murilo Resende perdeu o cargo no mesmo dia que fora nomeado diretor do Inep. Mas foi alocado como assessor na Secretaria de Educação Superior e, segundo o MEC, vai ajudar “no acompanhamento, análise e direcionamento do Enem”.

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