Como Bolsonaro, Kassio Nunes distorce declaração de Merkel e mente sobre lockdown na Alemanha

A chanceler não recuou de medidas mais duras na Semana Santa por considerar o mérito 'um erro', mas por falta de tempo para execução

O Ministro Kassio Nunes. Foto: Nelson Jr./STF

O Ministro Kassio Nunes. Foto: Nelson Jr./STF

Política,Sociedade

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal, distorceu uma declaração da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que recuou da imposição de medidas mais duras de restrição da circulação na Semana Santa.

“Aliás, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que anteriormente planejava adotar plano de bloqueio, publicamente admitiu que isso era um erro e assumiu a responsabilidade final pela reviravolta”, disse o ministro durante sessão nesta quinta-feira 8 sobre a realização de celebrações religiosas no momento mais dramático da pandemia do novo coronavírus no Brasil. Ele defende a liberação.

A chanceler, na verdade, não recuou por discordar do mérito do lockdown, mas por considerar curto demais o tempo para aplicação da medida.

 

 

No dia 25 de março, o presidente Jair Bolsonaro já havia distorcido as justificativas de Merkel.

“A Angela Merkel ia ter um lockdown rigoroso lá e cancelou, pediu desculpas. Ela falou lá, segundo a imprensa, que os efeitos do fechar tudo são muito mais graves do que os efeitos do vírus”, disse o presidente.

A afirmação de Bolsonaro não é verdadeira. Ao justificar o recuo, Merkel afirmou que o “espaço de tempo” para execução do plano seria curto demais.

“A ideia de uma paralisação na Páscoa foi elaborada com as melhores intenções, porque precisamos urgentemente desacelerar e reverter a terceira onda da pandemia”, disse a chanceler. “No entanto, a ideia foi um erro. Havia boas razões para optar por ela, mas ela não pode ser implementada suficientemente bem nesse curto período de tempo”.

Merkel anunciou a decisão após realizar, em 24 de março, uma videoconferência com os 16 governadores dos estados da Alemanha, que são responsáveis por impor e retirar as restrições.

Segundo a líder alemã, mesmo sem a paralisação da Páscoa, as decisões que tomou com os governadores ofereciam uma “estrutura” para combater a nova onda de infeções pelo novo coronavírus.

 

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