Justiça

CNJ manda desembargador do TRF-4 prestar esclarecimentos sobre decisão no caso Tacla Duran

Luis Felipe Salomão menciona possíveis ‘vínculos familiares estreitos” do membro do tribunal com a família de Sergio Moro

O advogado Rodrigo Tacla Duran. Foto: Reprodução
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O corregedor nacional de Justiça, Luis Felipe Salomão, intimou o desembargador Marcelo Malucelli, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, e o juiz Eduardo Appio, da 13ª Vara Federal de Curitiba, a prestarem informações sobre a reviravolta no caso do advogado Rodrigo Tacla Duran. O prazo estabelecido na sexta-feira 14 é de cinco dias.

Na semana passada, Malucelli tomou uma decisão que, de acordo com a avaliação da Justiça de Curitiba, restabeleceu uma ordem de prisão contra Duran. Antes, Appio havia suspendido a ordem de prisão decretada em 2016 pelo então juiz Sergio Moro.

Em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal, Marcelo Malucelli afirmou na sexta-feira não ter determinado uma nova prisão preventiva. Appio, porém, perguntou ao desembargador como “deve proceder em relação à prisão preventiva decretada por Vossa Excelência (na via monocrática e liminar) na tarde de ontem [11 de abril], ou seja, se o mandado de prisão será expedido por esta Vara Federal ou pela secretaria da 8ª Turma Criminal do TRF-4”.

A informação sobre a ordem de prisão contra Tacla Duran foi confirmada, inclusive, pelo site oficial do TRF-4.

Malucelli é pai do advogado João Eduardo Barreto Malucelli, que aparece no Cadastro Nacional de Advogados como sócio do escritório Wolff & Moro Sociedade de Advogados, com sede em Curitiba e formado pelo ex-juiz e pela advogada Rosângela Moro, atualmente deputada federal pelo União Brasil.

Em seu despacho, Salomão aponta ter sido divulgado que Malucelli “poderia ter algum vínculo de afinidade ou de amizade íntima com o senador Sergio Moro”. Segundo a mesma “narrativa”, prossegue o corregedor, o filho do desembargador “manteria um relacionamento amoroso com a filha do senador Sergio Moro e da deputada federal Rosângela Wolff Moro”.

“Ou seja, o desembargador Marcelo Malucelli poderia ter vínculos familiares estreitos com a família Moro, circunstância que, em tese, poderia induzir sua suspeição por parcialidade nas ações penais em que figura como parte Rodrigo Tacla Duran.”

No final de março, Tacla Duran afirmou em depoimento a Appio ter sido alvo de um “bullying processual” no âmbito da Lava Jato. Ele também declarou ter sido vítima de uma suposta tentativa de extorsão e citou Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol, hoje deputado federal pelo Podemos.

Em nota divulgada após o depoimento do advogado, a assessoria do ex-juiz sustentou que seu cliente é alvo de “calúnias” e não teme “qualquer investigação”. Deltan, por sua vez, se referiu a Eduardo Appio como “juiz lulista e midiático, que nem disfarça a tentativa de retaliar contra quem, ao contrário dele, lutou contra a corrupção”.

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