Ciro Gomes: ‘Haveria o bolsonarismo se não fosse a contradição do lulopetismo?’

Em entrevista a Glenn Greenwald, presidenciável do PDT criticou Lula e disse que CPI da Covid contra Bolsonaro deve acabar em pizza

O jornalista de CartaCapital Glenn Greenwald entrevista Ciro Gomes, candidato a presidente pelo PDT. (Foto: Reprodução)

O jornalista de CartaCapital Glenn Greenwald entrevista Ciro Gomes, candidato a presidente pelo PDT. (Foto: Reprodução)

Política

O pré-candidato à Presidência da República Ciro Gomes (PDT) acusou o “lulopetismo” de colaborar para a ascensão do bolsonarismo e incluiu os ex-presidentes petistas no rol dos representantes do “neoliberalismo” como Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e do presidente Jair Bolsonaro. As declarações foram dadas ao jornalista Glenn Greenwald, em entrevista transmitida ao vivo por CartaCapital nesta terça-feira 27 no YouTube.

 

 

 

Para o pedetista, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) favorece o discurso bolsonarista “sob o ponto de vista econômico e moral”

“Haveria o bolsonarismo, boçal, genocida e corrupto, se não fosse a contradição profunda, sob o ponto de vista econômico e moral, do lulopetismo?”, indagou, rechaçando chamar o eleitorado de Bolsonaro de “gado” e de “fascista” e lembrando que os petistas, por anos, foram vitoriosos em estados que votaram na extrema-direita na última eleição. “O povo brasileiro deu ao campo progressista seis eleições, e agora elege um genocida como Bolsonaro. E não tem nada a ver com as irresponsabilidades do Lula?”, questionou.

Entre suas queixas, Ciro Gomes destacou as alianças dos governos petistas com parlamentares corruptos, o enfraquecimento de instituições e de movimentos sociais e a “mentira” de Lula ao se candidatar em 2018 sabendo que poderia ser impedido. O pedetista criticou também a tentativa de Fernando Haddad (PT) em “se vender de novo para o mundo financeiro” e “prometer a autonomia do Banco Central”.

Ciro Gomes afirmou que “por cima da mesa” os últimos governos representados o neoliberalismo, ideais econômicos descomprometidos com reformas estruturais. Disse ainda que o neoliberalismo “está desmoralizado no mundo inteiro” e que defende um “projeto nacional de desenvolvimento”, debate do qual a esquerda brasileira “desertou”, disse ele. Ao falar de sua agenda econômica, Ciro Gomes chamou o teto de gastos de “aberração” e disse que a reforma da Previdência precisa ser refeita.

 

Ciro defende João Santana

Questionado sobre a recém-anunciada aliança com João Santana, mentor das campanhas de Lula e Dilma, Ciro defendeu o marqueteiro. “É um dos melhores publicitários do mundo.” Perguntado sobre as acusações de Marina Silva (Rede) sobre veiculação de campanhas de difamação nas propagandas petistas chefiadas por Santana, o presidenciável culpou as orientações de Lula pelos discursos adotados nas peças de marketing. Disse ainda que Santana está “encarregado de fazer uma comunicação política de um discurso que eu vou determinar que seja feito”.

“A contratação, pelo meu partido, do João Santana, vem em cima de um dos melhores publicitários do mundo. Ele nunca foi uma figura clandestina. Ele é uma figura respeitada mundialmente no setor especializado.”

Ciro Gomes também argumentou que o marqueteiro não foi condenado por corrupção, mas sim por caixa 2, uma prática “generalizada” no marketing político.

“Já pagou os erros que ele próprio reconhece. Nenhum deles foi corrupção. O próprio [Sérgio] Moro, e a gente sabe, é o campeão das arbitrariedades, absolveu João Santana da acusação de corrupção. Ele foi condenado por conta de ter recebido por um serviço que de verdade prestou ao PT e que foi obrigado a receber como caixa 2. Não é que eu aprove caixa 2. Mas eu sou obrigado a dizer que o caixa 2 no marketing político, no Brasil, era uma prática generalizada. E eu nunca vi alguém ser tão violentamente apenado como foi o João Santana. E eu prefiro continuar com um ser humano que eu conheço de longa data.”

 

CPI da Covid-19 deve acabar em pizza

Ciro Gomes afirmou que a CPI da Covid-19 deve “fortalecer a erosão” do governo Bolsonaro na opinião pública, porque sua dinâmica deve “aclarar” a omissão do Executivo na pandemia do novo coronavírus. Por outro lado, disse ele, “as conclusões vão ser pizza”.

“Até que eu chegue lá. Eu chegando lá, quem matou o povo brasileiro vai pagar”, disse o pré-candidato a presidente.

Assista à entrevista na íntegra.

 

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