“Censura” e “comportamento grosseiro”: Entidades reagem à ameaça de Bolsonaro a repórter

Críticas surgiram de entidades da imprensa, de Gilmar Mendes, do STF, e passaram por um comentário polêmico de Felipe Santa Cruz, da OAB

O ministro Gilmar Mendes. Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O ministro Gilmar Mendes. Foto: Nelson Jr./SCO/STF

Política

Após o presidente Jair Bolsonaro ameaçar “encher a boca” de um repórter do jornal O Globo “de porrada” no último domingo 23, autoridades, entidades jornalísticas e de direitos humanos repercutiram o caso.

Em nota, o jornal afirma que “repudia a agressão do presidente Jair Bolsonaro a um repórter do jornal que apenas exercia sua função de forma totalmente profissional” e que a intimidação mostra que o presidente “desconsidera o dever de qualquer servidor público, não importa o cargo, de prestar contas à população.”

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) também se manifestaram.

“Mais uma vez o presidente Jair Bolsonaro choca o país com seu comportamento grosseiro. A ABI se solidariza com o profissional atingido e reafirma que a pergunta feita ao presidente era pertinente e de interesse público.”, disse a instituição.

“É lamentável que mais uma vez o presidente reaja de forma agressiva e destemperada a uma pergunta de jornalista. Essa atitude em nada contribui com o ambiente democrático e de liberdade de imprensa previstos pela Constituição”, afirmou o presidente da ANJ, Marcelo Rech.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes publicou no Twitter, sem mencionar Bolsonaro, que “é inadmissível censurar jornalistas pelo mero descontentamento com o conteúdo veiculado”, e citou uma passagem do escritor britãnico George Orwell.

O presidente nacional da Ordem Nacional dos Advogados (OAB), Felipe Santa Cruz, também publicou uma mensagem de repúdio nas redes sociais, mas foi criticado por ter considerado que o comportamento do presidente nas últimas semanas tinha sido “muito bom”.

“O presidente vinha muito bem nas últimas semanas. Com sua moderação estava contribuindo para a pacificação do debate público. Lamentável ver a volta do perfil autoritário que tanta apreensão causa nos democratas.”, escreveu, e acrescentou sua solidariedade ao profissional envolvido.

Reação massiva nas redes

Já no domingo, nas redes sociais, surgiu um movimento que reforçou o questionamento a Bolsonaro. A pergunta “Presidente, por que sua esposa, Michelle, recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz?” chegou aos assuntos mais comentados no Twitter.

Nomes como Anitta, Bruna Marquezine, Caetano Veloso, Danilo Gentili, Felipe Netto, Bruno Gagliasso entre outros influenciadores aderiram ao movimento.

Segundo levantamento do professor Fabio Malini, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o questionamento foi feito nas redes sociais por mais de 1 milhão de vezes em menos de 24 horas.

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