Política

Bolsonaro diz que Milton Ribeiro atendia indicados por pastores ‘para dar uma moral’

‘Não foi corrupção da forma como está acostumado a ver em governos anteriores’, declarou o presidente, em relação ao escândalo do MEC

O presidente Jair Bolsonaro (PL), ao lado do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães. Foto: Reprodução
O presidente Jair Bolsonaro (PL), ao lado do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães. Foto: Reprodução
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O presidente Jair Bolsonaro (PL) minimizou o escândalo no Ministério da Educação e afirmou que o ex-ministro Milton Ribeiro queria apenas “dar uma moral” a dois pastores evangélicos aliados, Arilton Moura e Gilmar Santos, acusados de intermediar a distribuição de verbas públicas por meio de um “gabinete paralelo”.

A declaração ocorreu durante transmissão ao vivo na internet, nesta quinta-feira 23. Bolsonaro começou a comentar sobre o tema dizendo que exagerou na declaração sobre colocar a “cara no fogo” por Ribeiro, mas afirmou seguir confiando no ex-ministro.

“Eu falei lá trás que botava a cara no fogo por ele, né. Eu exagerei. Mas, eu boto a mão no fogo pelo Milton. Tá? Assim como boto por todos os meus ministros. Porque o que eu conheço deles, a vivência, etc., dificilmente alguém vai cometer um ato de corrupção”, afirmou.

Em seguida, Bolsonaro disse que não há “nada demais” na conduta de Ribeiro.

“Tão logo apareceu uma conversa em que o Milton falou publicamente, falou para várias pessoas: ‘olha, nós atendemos a todos os prefeitos, independente de partidos, atendemos a todos, agora, preferencialmente, os indicados pelo pastor tal’. Pra dar uma moral pra ele [um dos pastores]. Nada demais“, afirmou.

Bolsonaro argumentou que Ribeiro pediu afastamento do cargo após o vazamento da conversa para imprensa. Reforçou, ainda, que a Polícia Federal começou a investigação a partir de uma apuração da Controladoria-Geral da União, a CGU, que teria dado atenção ao caso a pedido do próprio ex-ministro.

“A CGU começou a investigar o caso a pedido do ministro Milton. A Polícia Federal pegou o relatório da CGU e começou a investigar”, alegou. “No final, teve a investigação da PF, que levou em conta o trabalho da CGU pedido pelo Milton. E o juiz decretou a prisão.”

Na sequência, classificou como “constrangedor” o ato da Polícia Federal em prender Ribeiro e disse estar “chateado” com o episódio. Afirmou, ainda, que “não tinha materialidade nenhuma para a prisão” do ex-ministro.

Bolsonaro rebateu a suposição de que o ex-ministro teria praticado corrupção, tese que ganhou força com a descoberta de que Ribeiro recebeu um valor que estaria ligado aos pastores: foram 50 mil reais através da conta de sua esposa, segundo o próprio advogado.

A alegação da defesa, no entanto, é de que o montante seria originário da venda de um carro.

“Ué, cada um pode ter 50 mil na tua conta. Pode ter 100 mil na sua conta. Se você vender um imóvel hoje, você pode ter 200 mil na sua conta. Qual o problema?”, argumentou Bolsonaro. “É uma movimentação atípica? É. Qualquer movimentação acima de 10 mil reais é atípica. Mas ali era a compra de um carro.”

Em um trecho posterior da transmissão, o presidente disse continuar “acreditando” em Ribeiro e minimizou a gravidade da sua conduta sob a comparação a casos de corrupção registrados em governos petistas.

“Continuo acreditando no Milton. Se aparecer alguma coisa, responda pelos seus atos. E assim é em nosso governo”, disse. “E você pode ver, não foi corrupção da forma como está acostumada a ver em governos anteriores. Ah, o cara fez uma obra superfaturada, comprou o material e não recebeu, superfaturou. Nada disso. Foi de história de fazer tráfico de influência.

Também pastor evangélico, Ribeiro teve o seu esquema revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo em março deste ano. Logo depois, acabou deixando o cargo de chefe da Educação.

Na quarta-feira 22, Ribeiro foi preso após a Polícia Federal ter avançado nas investigações, mas nesta quinta-feira 23 foi solto porque a Justiça atendeu o seu pedido de habeas corpus e mandou liberá-lo junto aos pastores.

Além da suspeita sobre os 50 mil depositados na conta da mulher de Ribeiro, a CGU relatou também um pedido de 100 mil reais, feito por Arilton Moura, para levar um evento do MEC ao interior de São Paulo.

A informação foi repassada por um empresário de Piracicaba (SP). De acordo com o Estadão, o empresário declarou que o valor seria destinado a “obras missionárias” de uma igreja ligada a Arilton Moura.

A Polícia Federal investiga, ainda, uma suposta interferência na operação que prendeu Ribeiro, por um suposto “tratamento privilegiado” dado a ele e aos pastores, que teria prejudicado a apuração dos fatos.

Victor Ohana

Victor Ohana
Repórter do site de CartaCapital

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