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Bolsonaro ataca pai de Bachelet, que foi torturado e morto pela ditadura chilena

A ex-presidente do Chile e comissária da ONU apontou, em uma entrevista, a redução do espaço democrático no Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (PSL). (Foto: Marcos Corrêa/PR)
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O presidente Jair Bolsonaro publicou, nesta quarta-feira 4, uma mensagem em suas redes sociais respondendo a ex-presidente do Chile e comissária da ONU, Michelle Bachelet. Em sua postagem, o pesselista atacou o pai da chilena, morto na ditadura militar de Augusto Pinochet.

A resposta de Bolsonaro veio após Bachelet dizer em uma entrevista que o Brasil sofre uma “redução do espaço democrático”, especialmente com ataques contra defensores da natureza e dos direitos humanos.

“Michelle Bachelet, Comissária dos Direitos Humanos da ONU, seguindo a linha do Macron em se intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira, investe contra o Brasil na agenda de direitos humanos (de bandidos), atacando nossos valorosos policiais civis e militares.”

E continua Bolsonaro: “Diz ainda que o Brasil perde espaço democrático, mas se esquece que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai brigadeiro à epoca.”

O pai de Michelle era general da Força Aérea e se opôs ao golpe militar dado por Augusto Pinochet em setembro de 1973. Ele foi preso e torturado pelo regime e morreu aos 50 anos, sob custódia do Estado.

“Discurso público que legitima execuções sumárias”

Falando à imprensa em Genebra, Bachelet, alertou nesta quarta-feira 4 sobre uma “redução do espaço democrático” no Brasil, especialmente com ataques contra defensores da natureza e dos direitos humanos.

Ela também observou um aumento no número de pessoas – especialmente afro-brasileiros e moradores das favelas – que morreram nas mãos da polícia brasileira e também lamentou o “discurso público que legitima execuções sumárias” e a persistência de alguma impunidade.

Bolsonaro comparou em sua mensagem a atitude de Bachelet com a de Macron, com quem ele está em uma disputa aberta decorrente do aumento alarmante dos incêndios na Amazônia, algo descrito como “crise internacional” pela França.

O presidente brasileiro exige, antes de qualquer discussão com Paris, que Macron se retrate por suas declarações nas quais sugeriu internacionalizar a Amazônia caso o Brasil não garanta sua preservação.

Bolsonaro, que defende a exploração da mineração em reservas indígenas e áreas protegidas – mesmo na Amazônia – considera a ação das ONGs e o interesse dos países europeus na preservação da floresta como interferência que ameaça a soberania do Brasil.

Na terça-feira 3, ele pediu aos brasileiros que usassem as cores verde e amarelo durante as comemorações do dia da independência, no próximo sábado, para reafirmar a soberania brasileira sobre sua região amazônica.

*Com informações da AFP

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