Bolsonaro assina decreto que institui Conselho Nacional da Amazônia

Presidente da República disse que medida é resposta para a mídia interna e externa que o criticou

O presidente Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão. Foto: Carolina Antunes/PR

O presidente Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão. Foto: Carolina Antunes/PR

Política

O presidente Jair Bolsonaro assinou, nesta terça-feira 11, o decreto que institui o Conselho Nacional da Amazônia, que deverá organizar ações entre ministérios para a “proteção, defesa e desenvolvimento sustentável” da região da floresta. O Conselho será comandado pelo vice-presidente Hamilton Mourão. A criação do grupo ocorre após o governo passar por intensas crises ambientais provocadas pelo crescimento do desmatamento e das queimadas.

Segundo Bolsonaro, a iniciativa é uma resposta para quem criticou sua gestão em relação ao meio ambiente. O presidente citou o presidente da França, Emmanuel Macron, e a imprensa brasileira e internacional.

“Eu tenho muita esperança que possamos dar a devida resposta àqueles que nos criticam. No ano passado, um chefe de Estado da Europa ousou dizer que a soberania sobre a Amazônia não era nossa, era relativa. E outras autoridades falaram coisas semelhantes no passado”, disse o presidente.

Em seguida, ele afirmou que a criação do Conselho é uma forma de reverter o que a imprensa fez “contra esse pedaço de terra”.

“Nós temos então que nos preparar. Temos a capacidade de se antecipar a problemas e realmente implementar políticas que passem a dizer que a Amazônia é nossa”, afirmou. “Somente se interessando por ela e promovendo políticas que possam mostrar que somos responsáveis pela sua soberania, é que vamos reverter, se Deus quiser, aquilo que grande parte da mídia interna e externa fez contra esse pedaço de terra mais rico, não só do Brasil, como do mundo.”

 

Mourão e o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, também discursaram na solenidade. Ao início de cada discurso, houve uma sutil troca de carteiradas. Mourão começou sua fala lembrando, com risadas, que Bolsonaro foi seu “bixo (calouro) na Academia Militar das Agulhas Negras”.

Em seguida, o presidente da República afirmou que, em 1975, cursava o primeiro ano da academia, enquanto Mourão era do terceiro, e que pouco se lembra dele naquela época. “Ele sempre era bem lembrado em tudo o que fazia. Então, hoje em dia, estou muito orgulhoso em tê-lo ao meu lado como vice-presidente e nessa missão que ele assume a partir de hoje”, disse Bolsonaro.

Depois do discurso do presidente, o general Heleno quebrou o protocolo e falou no microfone que Mourão já foi seu militar em formação. “Vou pedir, já que valeu a antiguidade aqui, o Mourão disse que o presidente foi bixo dele. O Mourão foi meu cadete, então aqui a gente se acerta”, disse Heleno.

Além da Conselho Nacional da Amazônia, o governo também criou, em janeiro, a Força Nacional Ambiental, organismo semelhante à Força Nacional de Segurança Pública. O objetivo será reunir agentes para a proteção da área amazônica.

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Repórter do site de CartaCapital

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