Política

Bolsonaro admite acordo para divulgar nota de Temer, mas não revela detalhes

‘Tem coisas que eu não posso falar com vocês’, afirmou o presidente a apoiadores nesta sexta

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

O presidente Jair Bolsonaro admitiu nesta sexta-feira 10 que fechou um acordo para divulgar a nota escrita por Michel Temer (MDB) em que recua dos ataques ao ministro Alexandre de Moraes.

Questionado por um apoiador se a divulgação da nota estaria condicionada à soltura do deputado bolsonarista Daniel Silveira, preso desde fevereiro por atos antidemocráticos, o presidente respondeu incomodado: “Não posso…Tem coisas que eu não posso falar com vocês. O que foi ou o que não foi acordado. Tem certas coisas que você confia ou não confia”, disse. “Eu posso um dia errar, mas até o momento eu não errei.”

Mais adiante, rebateu as críticas sobre a aliança com o ex-presidente Temer, ligado ao Centrão.

“Já leram a nota com atenção ou viram a televisão falando?”, questionou. “Alguns criticam porque eu conversei com o Temer…vocês sabem quem é o Temer, foi ele que indicou que indicou [Alexandre de Moraes ao Supremo]. Alguns querem que eu vá e degole todo mundo”, completou, justificando a aproximação com o emedebista.

Segundo indicou, as ações recentes fariam parte de um ‘plano de longo prazo’ que envolveria a indicação de dois novos ministros ao Supremo Tribunal Federal.

“Quem for eleito em 22, tem duas vagas [no STF] pro início de 23. Tem certos povos que esperam 100 anos pra atingir seus objetivos e tem alguns que querem em um dia”, explicou. “Tá indo devagar, mas tá indo”, acrescentou pedindo calma aos apoiadores.

O presidente minimizou ainda as críticas feitas por alguns políticos ao tom de sua nota, citando em especial Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara e atual secretário do governo João Doria (PSDB), em São Paulo.

“O Rodrigo Maia falou que eu virei um rato. Eu ficaria triste se o Rodrigo Maia tivesse me elogiado. Se a tua sogra fala que você é bonito, você toma cuidado…ela tá preparando um jantar especial pra você com racumin [veneno contra ratos], com chumbinho [outro popular raticida]”, ironizou.

Durante a conversa com os bolsonaristas, uma apoiadora pediu para que o presidente lesse uma pergunta, sem revelar o conteúdo, e respondesse apenas sim ou não para ‘dar um norte’.

O ex-capitão então disse: “Até domingo…mas as consequências de uma paralisação são gravíssimas pra todo mundo. Você quando quer matar um berne, não mata a vaca”, dando indícios de que a questão tratava da situação dos caminhoneiros.

“Até domingo, se o pessoal ficar parado, a gente vai sentir, vai ter um reflexo, mas se passar disso complica a situação da economia no Brasil”, seguiu respondendo. “Ninguém tá recuando, não pode ir pro tudo ou nada. A gente vai mudar o Brasil devagar”, finalizou em tom de apelo aos caminhoneiros.

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