Auxílio emergencial ‘passou pelo coração’ de Paulo Guedes, diz Bolsonaro

Em Brasília, o presidente saiu em defesa do ministro da Economia e minimizou chances de participação militar em um possível golpe

Foto: Reprodução

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Política

Em discurso em Brasília nesta quarta-feira 27, Jair Bolsonaro saiu em defesa dos militares que compõem o seu governo e minimizou as chances dos fardados embarcarem em um possível golpe dado por ele.

“Alguns criticam que eu botei militar demais [no governo], mais até proporcionalmente que nos governos [ditatoriais] de Castelo Branco a [João] Figueiredo. Sim é verdade, é meu círculo de amizade. Assim como de outros presidentes, foram de outras pessoas, era o círculo de amizades deles”, justificou Bolsonaro.

Sobre a participação dos fardados em um possível golpe durante o seu governo, o ex-capitão disse: “As Forças Armadas estão aqui. Ela está ao meu comando? Sim, estão ao meu comando. Mas se eu der uma ordem absurda elas vão cumprir? Não, nem a mim, nem a governo nenhum”.

Eleições 2022

Bolsonaro passou boa parte do discurso atacando o PT, principal adversário em 2018 e futuro oponente em 2022. E, apesar de dizer que ainda não irá entrar na ‘guerra eleitoral’, usou até o episódio da facada para pregar contra a eleição dos adversários.

Sem nomear diretamente os petistas Fernando Haddad, candidato em 18, e Lula, provável candidato em 22, o presidente solicitou de forma recorrente aos presentes que imaginassem como seria o Brasil caso um dos dois estivesse no poder.

“Jamais…pelo amor de Deus…a não ser aquele que queira se entregar inteiramente ao serviço da Pátria…[queiram] a minha cadeira. Alguém pode reagir né: ‘então renuncie’. Se a facada fosse decisiva naquele momento, é só imaginar quem estaria no meu lugar. O perfil dessa pessoa, o seu alinhamento com outros países do mundo, [para saber] onde nós estaríamos agora”, afirmou, tentando indicar aos presentes que o Brasil estaria pior caso o candidato petista tivesse sido eleito.

Ele novamente admitiu ainda não ser o melhor candidato e que sua eleição foi ‘atípica’, atribuindo parte da vitória a facada.

“Estamos acompanhando já os debates antecipados pra 22. Eu sou o melhor? Aqui mesmo tem dezenas de pessoas melhores do que eu. Se for olhar para o Brasil, são milhares de pessoas melhores do que eu. Mas quis o destino que caísse…que o governo ficasse comigo…sobrevivente da facada, numa eleição completamente atípica, que não vai acontecer nos próximos 100 anos outra igual a essa”.

Mais adiante repetiu o pedido de ‘reflexão’ aos presentes: “Se coloquem no meu lugar ou então coloquem aquele outro que não chegou no meu lugar. Como estaria o Brasil hoje em dia?”

‘Nada está tão ruim que não possa piorar’

Bolsonaro tentou ainda usar o discurso para justificar o péssimo desempenho do Brasil na economia. No discurso, tirou de si a responsabilidade sobre o aumento da inflação, dos preços dos combustíveis e dos alimentos no País.

“Mil dias de governo…com uma pandemia…e muitos acham que o acontece hoje no tocante à economia…inflação, preço de combustíveis, de alimentos, entre outros problemas…está acontecendo porque eu sou o presidente e não em grande parte pelo que nós passamos e estamos passando ainda”, afirmou, tentando minimizar sua culpa.

O ex-capitão disse ainda que os preços altos aplicados no Brasil, não são ‘maldade’ da sua parte, mas sim, uma ‘realidade’ em todo mundo. Na declaração, usou exemplos de Estados Unidos e Reino Unido, admitindo, porém, que não checou a realidade dos dados divulgados por ele neste segundo caso.

“Alguém acha que eu não queria a gasolina a 4 reais ou menos? O dólar a 4,50 reais ou menos? Não é maldade da nossa parte, é uma realidade. Tem um ditado que diz: ‘nada está tão ruim que não possa piorar’. Nós não queremos isso”, disse.

‘Se eu errar, vocês pagam a conta’

Bolsonaro aproveitou o discurso para defender as políticas de seu governo, dizendo que considera estar acertando e que se errar, o povo é quem pagará o prejuízo causado por ele.

“Estamos sobrevivendo, estamos vencendo. Se eu errar, pessoal, vocês pagam a conta”, disse logo após admitir que, apesar do seu discurso de que há mais de dois anos o Brasil não tem corrupção, pode haver casos dentro do seu governo.

“Quando se fala em mil dias sem corrupção, eliminou-se a corrupção? Obviamente que não. Pode acontecer problemas em alguns ministérios? Pode, mas não será da vontade nossa. Vamos buscar maneira de apurar o caso e tomar as providências cabíveis com outros poderes sobre aquele possível ato irregular”, explicou. “Mas diminuiu muito a corrupção no Brasil”, acrescentou em seguida.

O ex-capitão saiu ainda em defesa de familiares e amigos investigados por corrupção e outros crimes nos últimos anos, avaliando que os casos possam gerar prejuízos a sua imagem em uma candidatura em 22, mas que ‘não tem força para derrubar’ seu governo.

“Mexe comigo, tudo bem, mas quando mexe com a família, com quem tá próximo da gente, quando chega secretário reclamando. Mais um processo, mais uma denúncia, mais uma investigação, mais um inquérito. E a gente vê que não tem nada, é simplesmente, pelo que tudo indica, tráfico de influência de terceiros pra tentar derrubar o governo. Derrubar, acredito que não derrube, porque não fizemos nada de errado, mas tem um desgaste pro futuro, se vai disputar a reeleição ou não”, avaliou.

‘Banqueiros de bom coração’

No discurso, o presidente também aproveitou para defender banqueiros. Para ele, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, seria a prova de que há banqueiros com coração.

“[Estou] Aprendendo com o Pedro Guimarães, mostrando aí aos homens do mercado, presidentes e diretores de banco, que essas pessoas também têm coração. A forma como o Pedro Guimarães se expressa é a comprovação disso dai”, destacou.

Mais adiante, também usou a expressão para defender a atuação de Paulo Guedes, ministro da Economia. Segundo disse, o auxílio emergencial teria ‘tocado o coração’ do chefe da pasta.

“Se não tivesse alguém da garra dele [Guedes] será que teríamos caído apenas…que é bastante…4% enquanto outros países caíram em média 9%? Como seria a recuperação do Brasil?”, questionou. “Em grande parte o auxílio emergencial passou pelo coração do Paulo Guedes. Qual economista queria estar no lugar dele com aquela pandemia tendo que fazer coisas diferentes do que aquilo que ele se preparou toda sua vida?”, acrescentou.

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Repórter do site de CartaCapital

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