Assessor de Pazuello diz que vírus nos computadores da Saúde atrapalhou análise de oferta da Pfizer

A empresa havia enviado ao ministério um e-mail ressaltando a necessidade de 'confirmação urgente' pelo governo Bolsonaro

Foto: Justin Tallis/AFP

Foto: Justin Tallis/AFP

Política

O ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Élcio Franco afirmou à Pfizer que, devido a um vírus instalado na rede de computadores da pasta, enfrentava dificuldades para analisar uma oferta de vacinas por parte da farmacêutica norte-americana.

 

 

Franco, que ocupou o segundo posto mais importante no ministério durante a gestão de Eduardo Pazuello, prestará depoimento à CPI da Covid na próxima quinta-feira 27. Nesta segunda, uma cópia do e-mail em que ele comunicou a Pfizer sobre o suposto vírus foi obtida pela TV Globo.

“Informo que, em virtude de um problema de vírus em nossa rede do Ministério da Saúde, estamos com uma série de dificuldades de conexão em rede e abertura de e-mails, o que dificultou ou até impediu o acesso aos arquivos enviados até a presente data, assim como sua respectiva análise”, escreveu o então secretário em 10 de novembro de 2020.

No dia anterior, a empresa havia enviado ao ministério um e-mail exaltando a eficácia de sua vacina e ressaltando a necessidade de “confirmação urgente” pelo governo de Jair Bolsonaro sobre o “número de doses a ser considerado no segundo semestre”.

“Devido às notícias de hoje, a procura de doses está aumentando, e se não respondermos em breve, outros países que estão na iminência de fechar um acordo estão propensos a solicitar mais doses, o que incluiria as que estão agora alocadas para o Brasil no primeiro semestre. Por isso nossa urgência”, escreveu um dos diretores da Pfizer, segundo o documento recebido pela emissora.

Em 11 de novembro, uma oferta atualizada foi enviada pelo CEO da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, ao Ministério da Saúde. Em depoimento à CPI no último dia 12 de maio, o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fábio Wajngarten confirmou que uma carta encaminhada ao governo pela Pfizer em 12 de setembro não foi respondida até 9 de novembro.

“A carta foi enviada em 12 de setembro, o dono do veiculo de comunicação me avisa em 9 de novembro que a carta não havia sido respondida. Nesse momento, eu mando um e-mail ao presidente da Pfizer, que consta nessa carta. Respondi a essa carta, no dia em que recebi. Quinze minutos depois, o presidente da Pfizer do Brasil, Carlos Murillo (…), me liga. ‘Fábio muito obrigado pelo seu retorno’. No dia 9 de novembro, foi o primeiro contato”, disse Wajngarten na oitiva.

“A potencial vacina da Pfizer e da BioNTech é uma opção muito promissora para ajudar seu governo a mitigar esta pandemia. Quero fazer todos os esforços possíveis para garantir que doses de nossa futura vacina sejam reservadas para a população brasileira, porém celeridade é crucial devido à alta demanda de outros países e ao número limitado de doses em 2020”, dizia trecho da carta não respondida até novembro.

Leia a íntegra:

 

 

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