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Apoiadores de Bolsonaro ignoram quarentena e voltam a fazer carreatas

Carro de som é usado na carreata realizada em São Paulo neste sábado, 18 abril (Foto: Roberto Parizotti / Fotos Públicas)

A prorrogação da quarentena e a defesa do presidente Jair Bolsonaro e de seu discurso contra o isolamento e pró-economia motivaram apoiadores bolsonaristas a furarem a recomendação das autoridades de saúde pelo distanciamento social e saírem às ruas para novas carreatas contra as medidas de contenção ao coronavírus e pedindo a reabertura do comércio.

Em São Paulo, os gritos e buzinaços foram direcionados ao governador João Doria, que decidiu prorrogar a quarentena até o dia 10 de maio. Os manifestantes usaram um carro de som e reuniram motos e carros no movimento que passou por vias como as avenidas Paulista e Rebouças. Os manifestantes também fizeram críticas à emissora Globo e ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

 

Indignados com a manifestações, alguns moradores reagiram aos gritos pela reabertura do comércio com ovos e tomates atirados das janelas dos prédios. Uniformizados de verde e amarelo, os manifestantes chegaram a sair do carro para protestar, formando aglomerações. Gritos como “Fora Doria”, “fora Maia”, “Globo lixo” expressavam o descontentamento dos participantes da carreata.

No interior do Estado, também houve carreata.

Além de São Paulo, os bolsonaristas também saíram às ruas no Rio de Janeiro, em Brasília, Porto Alegre e Fortaleza.

Os bolsonaristas voltam às ruas depois de uma semana turbulenta, que culminou com a troca de comando no Ministério da Saúde. Luiz Henrique Mandetta foi demitido pelo presidente jair Bolsonaro após divergências na condução das medidas contra a pandemia de coronavírus. Na sexta-feira 17, o médico oncologista Nelson Teich tomou posse como novo ministro com a missão dada pelo presidente de descobrir uma alternativa ao isolamento social.

A atualização dos dados da covid-19 no Brasil neste sábado aponta que o país soma 2.347 mortes e 36.599 casos confirmados da doença. Nas últimas 24 horas foram 206 mortes. O Estado de São Paulo, epicentro da epidemia no País, tem 991 mortes e 13.894 casos.

 

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