Apoiado por PT e Bolsonaro, Rodrigo Pacheco promete Senado independente

Sucessor de Davi Alcolumbre na presidência da Casa recebeu 57 votos, contra 21 da segunda colocada, Simone Tebet, na eleição desta segunda

FOTO: JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO

FOTO: JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO

Política

O senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro e por siglas de oposição ao governo federal, como o PT, foi eleito nesta segunda-feira 1 presidente da Casa pelos próximos dois anos.

Ele recebeu 57 votos, contra 21 de Simone Tebet (MDB-MS), segunda colocada. Major Olímpio (PSL-SP), Jorge Kajuru (Cidadania-GO) e Lasier Martins (Podemos-RS) retiraram suas respectivas candidaturas nesta tarde e se aliaram a Tebet. 78 dos 81 senadores votaram e três não compareceram.

Compõem oficialmente o bloco de apoio a Rodrigo Pacheco DEM, PSD, PP, PT, PL, Republicanos, Pros, PDT, Rede e PSC.

 

 

Pacheco, de 44 anos, que se filiou ao DEM em 2018, está em seu primeiro mandato como senador, após ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados entre 2015 e 2018, exercendo também o posto de presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Nesta eleição, recebeu ainda o endosso do agora ex-presidente do Senado Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Natural de Porto Velho, capital de Rondônia, mudou-se para Belo Horizonte e lá se formou em Direito. Ocupou cargos de comando na Ordem dos Advogados do Brasil, sendo o mais jovem conselheiro federal, entre 2013 e 2015. Também foi auditor no Tribunal de Justiça Desportiva de Minas Gerais e conselheiro no Instituto de Criminologia e Política Criminal do estado.

Em discurso nesta tarde na tribuna do Senado, Pacheco prometeu defender “a soberania nacional, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político”.

“A República que merece ser tratada com moralidade e ética, um combate sempre constante e não casuísta da corrupção”, acrescentou. Ele também garantiu que promoverá “a independência do Senado”.

“Não haverá nenhum tipo de influência externa na vontade livre e autônoma dos senadores. A busca do consenso haverá de ser uma tônica, mas há procedimentos próprios da democracia para se extrair uma conclusão, uma conclusão que advenha da vontade da maioria”.

Logo após o anúncio de sua vitória, Pacheco pregou a união e afirmou que não existem mais divisões ou candidaturas.  A missão, segundo ele, é “criar uma sociedade justa e livre, desprovida de preconceitos e discriminações de quaisquer natureza”.

 

“Atuar com vistas no trinômio: saúde pública, desenvolvimento social e crescimento econômico. Urge livrar o Brasil dessa avassaladora e trágica pandemia, que já vitimou mais de 225 mil irmãos brasileiros”.

 

Ele também adiantou que a votação de reformas econômicas que dividem opiniões, como a tributária e a administrativa, deverão ser “enfrentadas com urgência, mas sem atropelos”.

Mesmo com a vitória por larga margem nesta segunda, não foi tarefa simples para Alcolumbre emplacar o nome de Pacheco. Segundo Marcos Verlaine, analista do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, o senador não era bem visto por Bolsonaro, especialmente pela atuação como presidente da CCJ na Câmara, quando ambos eram deputados. O senador, avalia, preencheu um vácuo deixado após o veto à reeleição de Alcolumbre.

“Pacheco é muito mais preparado do que Alcolumbre, tem mais experiência, é advogado, se destaca como articulador e se identifica com a pauta econômica do Guedes. Será um presidente tranquilo para o governo.”

Antes da definição das candidaturas, Alcolumbre não escondia o desejo de se candidatar mais uma vez à presidência do Senado. Em dezembro, no entanto, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional a reeleição de presidentes do Congresso na mesma legislatura, seguindo o que apontam a Constituição e o regimento das Casas.

 

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Editor do site de CartaCapital

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