Entrevistas

Alvo de CPIs e pedidos de ­impeachment, Kalil acusa Zema: ‘É claro que tem relação com 2022’

Apesar de apontar a correlação entre as denúncias de que é alvo com 2022, o prefeito de BH ainda se esquiva de perguntas sobre as eleições

“É desrespeitoso com a população faminta falar em eleições”, despista. (FOTO: Prefeitura de BH)
“É desrespeitoso com a população faminta falar em eleições”, despista. (FOTO: Prefeitura de BH)

Reeleito com 63% dos votos e com base larga na Câmara, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), enfrenta uma crise sem precedentes desde que assumiu a prefeitura em 2017. São cinco pedidos de impeachment, um já com previsão de adesão de 19 dos 21 votos mínimos, e três comissões parlamentares de inquérito.

Uma CPI da Pandemia, a segunda da BHTrans e uma terceira – classificada como inconstitucional por aliados – que pretende apurar casos de nepotismo no executivo estão em andamento. “Apurem, eu boto a cara. Não tenho compromisso com o mal feito”, afirmou em entrevista a Carta Capital.

Para aliados, a crise estaria sendo gestada por um ex-aliado de Kalil, o líder do governador de Minas, Romeu Zema, em Brasília, deputado federal Marcelo Aro (PP), “dono” de uma bancada de sete vereadores, incluindo sua mãe vereadora Professora Marli, que somados a outros de oposição, três do Novo e três bolsonaristas chegou a 20 de 41 vereadores.

Para eles, a estrutura do governo do estado teria sido “colocada para jogo” o que desequilibrou o cenário na capital mineira. Questionado sobre sua pré-candidatura pra 2022, Kalil evita falar do assunto, mas admite que começou a viajar pelo interior como presidente da Federação Mineira de Prefeitos. O cargo é estratégico para alavancar seu nome, ainda desconhecido no interior do estado.

O PSD trabalha com a candidatura de Kalil ao governo, a reeleição de Antonio Anastasia ao Senado e em um plano A o senador Rodrigo Pacheco para Presidência. Nos bastidores, dirigentes nacionais já admitem uma possibilidade de compor com o PT em um segundo turno, ou até mesmo indicar Pacheco para a vice de Lula.

Confira a seguir.

CartaCapital: A que o senhor atribui a crise que enfrenta hoje, depois de um primeiro mandato tão tranquilo e bem avaliado?

Alexandre Kalil: É claro que tem relação com 2022. Graças a Deus, a prefeitura vai muito bem, paga seus fornecedores em dia, é bem avaliada. Agora abriram uma quarta CPI, uma vez que a anterior morreu no nascedouro, porque não conseguiram emplacar. Tentaram colocar dois bolsonaristas ferrenhos, parte da oposição também ligada a Bolsonaro e acabaram, agora, cometendo um erro técnico. Apurem, eu boto a cara. Não tenho compromisso com o malfeito. Mas os escândalos que estão aí são parte de uma estrutura midiática. Precisamos lembrar que isso aqui não é joguinho de internet, tem CPF envolvido e gente cometendo crime de calúnia.

CC: Como o senhor avalia a atuação da chamada “Bancada do Aro”, aquele grupo de vereadores ligados ao líder de Zema no Congresso?

AK: Olha, o deputado faz o que acha certo. Por outro lado, o prefeito tem a prefeitura limpa e o deputado sabe também como trato a coisa pública. Até porque estamos voltando para um momento em que o povo está sem carne para comer, com botijão de gás a 120 reais. Creio que os nossos deputados federais deveriam estar empenhados em priorizar esse debate.

CC: O presidente Jair Bolsonaro deve subir no palanque de Zema em Minas e tem intensificado os investimentos no estado.

AK: Eu não escolho amigo de ninguém, escolho os meus. Mas o que o governo federal deu ao povo mineiro efetivamente foi a conta da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), uma empresa falida que será privatizada (dos 2,8 bilhões de reais anunciados para a expansão do metrô, 1,6 bilhão será destinado ao saneamento da empresa para a privatização). Depois, quem vai garantir o compromisso contratual da empresa privada?

CC: As pesquisas mostram que seu nome é desconhecido no interior do estado. Como reverter esse quadro?

AK: Está muito cedo para tratarmos disso. Olha só, hoje estou com a chuva aqui em Belo Horizonte. Inunda tudo, então acho desrespeitoso com a população que está faminta falar em eleição. Quem está preocupado com eleição agora são os politiqueiros. Que eu pegue meu domingo, meu sábado para fazer viagens pelo interior do estado, mas, durante a semana, todos os dias, temos compromisso com o povo que nos elegeu.

CC: A propósito, os vereadores vetaram um projeto que previa 900 milhões de reais para obras de combate às enchentes, sua maior derrota na Câmara.

AK: Foi um crime o que a bancada do Novo e os outros vereadores fizeram contra a população de Belo Horizonte. É um projeto elaborado com a ONU, mas eles foram lá com a motosserra e jogaram no chão. Fizeram algo contra o prefeito que não vive em condição subumana. O Alexandre Kalil não afoga na chuva quando a Vilarinho inunda. A situação de Vilarinho e Venda Nova mata muita gente. Essa foi a prova cabal do nível de consciência de parte desta câmara dos vereadores, e que no final respinga sobre toda população.

Publicado na edição nº 1180 de CartaCapital, em 21 de outubro de 2021.

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