Alexandre Frota acusa Carlos Bolsonaro de chefiar esquema de fake news

Parlamentar ex-PSL afirmou que filho do presidente da República dirige milícias digitais direto do Rio de Janeiro

O deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP). (Foto: Reprodução/TV Senado)

O deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP). (Foto: Reprodução/TV Senado)

Política

O deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) acusou o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) de comandar milícias digitais responsáveis por espalhar informações falsas na internet. A declaração ocorreu durante depoimento, nesta quarta-feira 30, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga operações de disseminação de fake news nas redes sociais.

“Quem coordena? Carlos Bolsonaro, direto do Rio de Janeiro, realizando reuniões, disparando via WhatsApp os seus comandos”, disse o deputado. Segundo ele, há integrantes do esquema que trabalham em gabinetes do Congresso Nacional, “travestidos de assessores parlamentares”.

Frota afirmou que há um grupo de trabalho dentro gabinete pessoal do presidente da República no Palácio do Planalto, pago com recursos públicos salariais para disseminar notícias falsas contra alvos políticos. O parlamentar acusou os assessores Mateus Matos Diniz, José Matheus Salles Gomes e Tercio Arnaud Tomaz comporem este grupo.

De acordo com o parlamentar, a equipe trabalhou com Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018 e foi convidada pelo presidente da República para Brasília após a vitória eleitoral. Frota teria encontrado o grupo em uma oportunidade em que almoçou com Bolsonaro em Brasília.

O tucano apresentou fotos com textos idênticos, publicados simultaneamente por perfis com poucos seguidores no Twitter, direcionados a diferentes figuras políticas. Entre os casos exemplificados, estão os linchamentos à deputada Joice Hasselmann, ao ex-ministro Santos Cruz e ao vice-presidente Hamilton Mourão.

O deputado disse que uma das gangues virtuais que possivelmente estão envolvidas nesta operação pode ser identificada com a estética “vaporwave”. Segundo ele, esta milícia nasceu nos Estados Unidos como defensora de ideais racistas e eugenistas.

Frota foi expulso do PSL em 13 de agosto, acusado de infidelidade partidária. A iniciativa partiu do próprio presidente da legenda, Luciano Bivar, após Frota fazer críticas públicas a Bolsonaro.

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Repórter do site de CartaCapital

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