Política

Acuado, Bolsonaro invoca Lula para explicar cortes no orçamento

Presidente compartilhou no Twitter um vídeo do antecessor quando era presidente — e o perfil do petista respondeu

Encurralado pela força das manifestações contra os cortes na Educação, o presidente Jair Bolsonaro tenta explicar as diferenças entre corte e contingenciamento. Nem que para isso seja necessário invocar a figura de seu antípoda, o ex-presidente Lula.

Bolsonaro divulgou, na noite de quinta-feira 16, uma antiga reportagem da TV Gazeta, no qual o petista explicava um bloqueio de orçamento em sua gestão. “Lula explica para a esquerda como funciona e quando é preciso o contingenciamento de recursos públicos (praticado por todos os governos). Agradeço a explanação!”, escreveu.

O perfil oficial de Lula respondeu com dados sobre o orçamento da Educação durante a gestão do petista e com fotos de alunos ao lado de placas de inauguração em universidades criadas por ele.

Na quarta-feira 15, estudantes, professores e apoiadores se reuniram em todo o País para uma greve pela educação. Estima-se que mais de 1 milhão de brasileiros tenham ido às ruas. Uma nova data de manifestações já está marcada: o dia 30 de maio.

O presidente vem se empenhando em mudar o curso da repercussão das greves nas redes sociais. Pela manhã, ele justificou e o bloqueio no orçamento em uma série de tuítes. Atribuiu a crise fiscal ao PT e classificou os críticos como ‘abutres’.

Ontem, publicou registros dos ataques a uma repórter da Folha de S. Paulo que questionou se os cortes no orçamento ajudariam o país a alcançar o ranking das 250 melhores universidades do mundo, conforme ele mencionara anteriormente.

O clima também pesou nos bastidores do Planalto. Segundo divulgado em primeira mão pela jornalista Tânia Monteiro, do Estadão, Bolsonaro anda compartilhando no WhatsApp um texto de autoria desconhecida que fala em país ‘ingovernável’ e que ele, até agora, ‘só tentou e fracassou’.

Diz um trecho: “Na hipótese mais provável, o governo será desidratado até morrer de inanição, com vitória para as corporações. Que sempre venceram. (…) Na pior hipótese ficamos ingovernáveis e os agentes econômicos, internos e externos, desistem do Brasil.” O tom de catástrofe, conta a jornalista, surpreendeu e atemorizou aliados do presidente.

Ontem, ele já havia dado um recado enigmático nas redes sociais, prometendo não abrir mão dos  ‘princípios fundamentais’ que defende e com os quais, segundo ele, ‘a maioria dos brasileiros sempre se identificou’.

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