Política

Dilma Rousseff

'Ações midiáticas não nos pautam'

por Redação Carta Capital — publicado 02/08/2011 16h11, última modificação 02/08/2011 16h25
Após silêncio durante a crise nos Transportes, presidenta afirma que o combate à corrupção é feito de maneira sistemática

A presidenta Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira, após o lançamento do Plano Brasil Maior, em Brasília, que o governo federal não vai se pautar por medidas que classificou como “midiáticas” no combate à corrupção. A declaração acontece menos de um mês após uma crise no Ministério dos Transportes levar à demissão de mais de 20 pessoas, entre elas o agora ex-ministro Alfredo Nascimento (PR-AM) e o ex-diretor-geral do Dnit Antônio Pagot.

“Nós combateremos sistematicamente (a corrupção). O governo não irá abraçar nenhum caso de corrupção. Mas o governo também não irá se pautar por medidas midiáticas no combate à corrupção. Nós combateremos efetivamente”, disse a presidenta.

As exonerações aconteceram após a revelação de suspeitas de que políticos ligados ao Partido da República, da base de apoio do governo, cobravam propinas para aprovar aditivos em contratos supostamente superfaturados para obras em estradas e ferrovias. Pouco depois, a presidenta vê novamente membros de seu governo envolvidos em suspeitas, desta vez no Ministério da Agricultura.

Ex-diretor financeiro da Conab, a Companhia Nacional de Abastecimento, Oscar Jucá Neto, irmão do senador Romero Jucá (PMDB-RR), deixou o cargo após a revelação de que autorizou pagamentos irregulares no órgão. Na saída, fez uma série de ameaças e declarou que o ministério possuía mais casos de corrupção do que nos Transportes.

Desde o início da crise, Dilma havia optado por evitar declarações públicas. Desta vez, dá sinais de que eventuais demissões devem levar em conta o fundamento das acusações, e não apenas declarações publicadas na imprensa – caso de Jucá Neto, entrevistado pela revista Veja desta semana.

No mesmo evento, Dilma afirmou também que o programa recém-lançado torna-se, a partir de agora, um instrumento para enfrentar a crise econômica mundial. Ela disse, no entanto, não ter a pretensão de resolver “todos os problemas”. “Essas medidas são o nosso primeiro passo em direção a aumentar a competitividade do Brasil, a partir da inovação, da exigência de agregação de valor e do combate a práticas fraudulentas reais no que se refere à concorrência”.

A presidenta prometeu ainda anunciar o lançamento do programa Supersimples, que prevê um regime especial de arrecadação de tributos junto a microempresas e empresas de pequeno porte, logo na semana que vem. Sobre a desoneração da folha de pagamento, Dilma prometeu criar uma comissão tripartite, formada por empresários, trabalhadores e o governo, para acompanhar as medidas de modo que não haja efeitos sobre a previdência. “Então, isso requer que a gente tenha bom senso e cautela na adoção [das medidas]”.

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