Política

A articulação do União Brasil de olho em mudanças nos ministérios de Lula

A sigla tem Daniela no Turismo e Juscelino nas Comunicações, além de ter indicado Waldez para o Desenvolvimento Regional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Foto: EVARISTO SA / AFP
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As recentes críticas de lideranças do Centrão à articulação política do governo Lula (PT) fizeram o Palácio do Planalto sinalizar uma possível reorganização na Esplanada dos Ministérios, com foco nas pastas comandadas pelo União Brasil.

Uma eventual mudança foi relatada durante a reunião do petista com o líder da legenda na Câmara, Elmar Nascimento (BA), horas antes da votação da medida provisória dos ministérios. No encontro, Lula deu indícios de que poderia mudar o comando das pastas, mas o parlamentar baiano disse que antes levaria o assunto para a bancada discutir.

A reportagem apurou que, durante reunião na última quarta-feira 31, os deputados chegaram ao consenso de que a decisão sobre um novo ministro abençoado pela legenda deve ser coletiva.

O União Brasil hoje tem Daniela do Waguinho (RJ) no Turismo e Juscelino Filho (MA) nas Comunicações, além de Waldez Góes (AP) no Desenvolvimento Regional – o político é do PDT, mas foi indicado pelo União. Os nomes foram chancelados pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP) durante a montagem ministerial.

Embora Lula ainda não tenha dado a senha para a troca, a sigla se movimenta e já possui seus favoritos para a possível dança das cadeiras. São eles: Yandra Moura (SE) e Celso Sabino (PA), ambos deputados federais. A cúpula nacional do União chegou a fazer consultas aos parlamentares, que também têm se articulado em torno do eventual convite.

Para o presidente da legenda, Luciano Bivar (PE), porém, a palavra final sobre o escolhido virá do Planalto.

“Olha, não têm faltado gestos do governo [sobre mudanças]. Agora, essa questão de participação é algo que depende unicamente do governo”, afirmou a CartaCapital. “Essas decisões de indicar alguém em definitivo devem partir do Planalto. Já conversamos algumas vezes, mas o governo quer amadurecer tudo isso.”

Mais um passo da articulação deve acontecer na tarde desta segunda-feira 5. O presidente Lula se reúne com líderes partidários no Palácio do Planalto a fim de ouvi-los sobre as dificuldades para construir base de apoio no Congresso.

Um problema antigo

A resistência do União Brasil em integrar oficialmente a base governista no Congresso não é recente. Desde o anúncio dos ministérios, quando Lula sequer havia tomado posse, lideranças da sigla já demonstravam ressalvas à composição.

Parlamentares atribuem ao veto ao nome de Elmar Nascimento para o comando do Ministério da Integração Nacional “o ponto um” da crise. Petistas da Bahia trabalharam contra o rival local ao resgatar declarações de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e contra Lula.

À época, lideranças da sigla deram declarações públicas de que as escolhas não refletiam “os desejos das bancadas”.

O Planalto, então, tentou ajustar a relação com o União na negociação de cargos no segundo e no terceiro escalões. A tentativa, porém, não avançou porque, segundo lideranças partidárias, houve demora no atendimento das demandas apresentadas à equipe de articulação política.

Como noticiou CartaCapital em março, deputados do PT chegaram a admitir informalmente que houve erros na articulação do governo ao ceder três ministérios a uma legenda que não entrega votos. A solução passaria por uma reforma ministerial, algo descartado por Lula à época.

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