Opinião

Somos todos e todas Rio Grande do Sul

O tamanho da destruição material e de vidas causada pelas chuvas torrenciais e enchentes violentas surpreende a cada momento

Rio Grande do Sul vai passar pela maior reconstrução da história do país. Foto: Lauro Alves/GOVRS, Corpo de Bombeiros/GOVRJ, Carlos Fabal/AFP e SEDAC/GOVRS
Apoie Siga-nos no

Neste momento em que o estado do Rio Grande do Sul sofre a pior catástrofe climática de sua história, a nação brasileira se mobiliza em solidariedade impulsionada pelo sentimento de que “somos todas e todos Rio Grande do Sul!”

O tamanho da destruição material e de vidas causada pelas chuvas torrenciais e enchentes violentas surpreende a cada momento. Segundo a Defesa Civil, 388 municípios foram atingidos e mais de 327 mil pessoas estão desalojadas. Até agora o número de mortos subiu para 143 e o de desaparecidos para 125 .

O presidente Lula, como já fez em outras tragédias naturais, mobilizou rapidamente ministros e recursos do governo federal e, em um esforço de união nacional, liderou os demais poderes da República para, juntos, salvar vidas e reconstruir o estado gaúcho devastado pelo evento climático extremo.

O dificílimo trabalho emergencial de salvar vidas, o foco desse momento, está sendo feito de forma conjugada pelas Forças Armadas, órgãos estaduais, municipais e federais e por um número crescente de voluntários que trabalham em cozinhas coletivas, nos abrigos, inclusive abrigando pessoas em suas casas, prestando serviços médicos e sanitários e levando alimentos, roupas e conforto para as pessoas que perderam tudo e só lhe resta a esperança de reconstruir as suas vidas.

É essa energia solidária que move o povo brasileiro e suas instituições públicas e também muitas iniciativas privadas. Um esforço conjunto por cima das diferenças políticas e ideológicas visando salvar o povo e o Rio Grande do Sul, um estado que sempre foi tão importante para o desenvolvimento econômico e cultural do Brasil.

Por isso não há nada mais condenável e repugnante do que a exploração política da tragédia do povo gaúcho que setores extremistas vêm fazendo com suas fake news disseminando ódio, preconceito e a desunião do país.

É esse mesmo extremismo político que nega a crise climática e, quando ocupam governos, desmontam políticas de proteção ambiental e liberam o desmatamento sempre em busca do lucro imediato.

Ignoram ou simplesmente não ligam para os efeitos que essa destruição da natureza podem causar no agravamento da crise climática.

Sistematicamente, agredida por práticas cegas e imediatistas, a natureza se volta e atinge toda a população, especialmente os setores mais pobres que são obrigados a viver nas periferias e áreas de risco. Essa é uma situação que nós, do Estado do Rio de Janeiro, sabemos muito bem!

É esse encadeamento de causas que vai do descaso ambiental de setores econômicos egoístas e sucessivos governos à crise climática global que está por trás da tragédia climática no Rio Grande do Sul. No início do ano entidades meteorológicas já alertavam o estado gaúcho para possíveis ocorrências climáticas graves para o mês de maio.

Portanto, não foi por conta da falta de avisos que medidas preventivas não foram feitas. A nação brasileira vai tirar muitos ensinamentos da tragédia que, neste momento, vitimiza nossas irmãs e irmãos gaúchos.

Finalizo essa reflexão destacando três pontos:

Primeiro, a crise climática chegou e será esse o “novo normal” , o qual, para ser enfrentado, toda a sociedade e todas as esferas de governos (federal, estaduais e municipais) devem tomar medidas preventivas; outro ponto é que a união nacional e a solidariedade social são muito mais benéficas para o país e para todos nós do que as campanhas de ódio, intolerância e preconceito realimentadas pelas fake news e redes sociais extremistas; e, por último, a reconstrução do estado do Rio Grande do Sul e do próprio país, depois que quase foi destruído pelo governo extremista passado, é necessariamente obra da união nacional de todos e todas – sociedade e instituições democráticas.

Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo