O coronavírus e a derrocada final do neoliberalismo

Autoridades da saúde mostrando a gravidade da situação e o banqueiro ministro resistindo diante do desmoronamento do neoliberalismo

Paulo Guedes e Jair Bolsonaro (Foto Marcelo Camargo Agência Brasil)

Paulo Guedes e Jair Bolsonaro (Foto Marcelo Camargo Agência Brasil)

Economia,Opinião,Saúde

O coronavírus está levando o neoliberalismo e os papas dessa idiotia a uma total derrocada. Vemos o banqueiro Paulo Guedes, no momento travestido de ministro da Economia (com o codinome de “Posto Ipiranga”) de um governo imbuído de boçalidade pura, se contorcendo em argumentos a mostrar o seu total despreparo diante dessa pandemia.

A falácia neoliberal de que o mercado por si é capaz de regular a economia de modo preciso, e sua defesa intransigente para o estado mínimo, simplesmente desmorona diante dos fatos.

Afinal, nesse momento de desespero e angústia as pessoas sabem que dependem mais do que nunca do sistema público de saúde, seja para ações emergenciais, seja ainda para o advento de possíveis vacinas contra o novo vírus.

A rede hospitalar privada, com as raras exceções de praxe, tem no paciente apenas e tão somente um objeto de lucro, alguém visto como gerador de lucro, e possíveis intervenções satisfatórias sobre sua saúde individual visam apenas e tão somente a competição de mercado.

Pesquisas sobre as características de abrangência do novo vírus, possíveis intervenções terapêuticas, e mesmo a vacina que irá nos proteger dessa calamidade, certamente virão de hospitais e entidades públicas.

Será através do SUS, dos hospitais acadêmicos, e outras entidades igualmente públicas que virão as condições para o enfrentamento de mais essa mazela que se abate impiedosamente sobre a sociedade.

Mas Paulo Guedes, indiferente ao sofrimento e desespero de tanta diferente gente, continua com sua cantilena neoliberal dizendo simplesmente que se a economia ceder ao coronavírus a intervenção aos mercados será indevido. E temos então a maneira como um banqueiro vê o desespero das pessoas diante da perspectiva da queda de seus lucros, ou seja, vidas quedadas em sofrimento e dor não devem se opor aos lucros almejados pelo mercado.

Sandice plena a embalar o sonho neoliberal. Autoridades da saúde mostrando a gravidade da situação e o banqueiro ministro mostrando resistência diante do desmoronamento do neoliberalismo. Até mesmo Macron, igualmente banqueiro e atual presidente francês, e também defensor professo do neoliberalismo veio a público dizer da importância da rede pública de saúde nesse momento de total descontrole da escalada desse novo vírus.

E no Brasil, felizmente, estamos vendo o ministro da Saúde e seus assessores, em que pese a escassez de recursos humanos e materiais, atitudes admiráveis em esclarecimento à população e se fazendo presentes junto a secretários de saúde de diversos estados. Algo totalmente dissociado da postura de boçalidade presidencial e de seus principais assessores. É bom frisar que o banqueiro Paulo Guedes cortou drasticamente recursos destinados aos órgãos de saúde.

O capitalismo mata impiedosamente com a imposição da brutal excludência social que ceifa milhares de vidas diariamente, e nas situações de pandemia, o que vemos, mais uma vez, é seu manto de destruição se abater sobre os combalidos e desvalidos. O capitalismo em sua versão neoliberal transforma a subjetivação das pessoas fazendo com que todos se vejam como concorrentes e com a idiotia da crença na meritocracia.

O neoliberalismo foi levado à derrocada por mais que o banqueiro Paulo Guedes insista em fazer malabarismos para entretenimento de sua plateia. O neoliberalismo foi lançado por terra no Brasil e no mundo por um vírus. Um simples vírus desestabilizou o neoliberalismo em escalada mundial.

Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.

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É psicoterapeuta existencial. Lecionou em cursos de pós-graduação em Psicologia da Saúde na PUC de São Paulo e na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Autor com o maior número de livros publicados em psicologia no Brasil, adotados nas principais universidades da América Latina e Europa.

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