Nos delírios de Jair Bolsonaro, a Amazônia tem dono: Donald Trump

Bolsonaro briga com a Europa não por nacionalismo. Se é para se entregar, que seja em nome de um grande amor, os Estados Unidos de Trump

Foto: Alan Santos/PR

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Opinião

Jornalistas estrangeiros, o mundo em geral, têm dificuldade para entender Jair Bolsonaro. Por causa dessa incompreensão, buscam comparações impossíveis. O ex-capitão não é nacionalista, como classifica o inglês The Guardian, entre outros diários do Hemisfério Norte, nem se compara ao populismo de direita europeu.

O bullying de quinta série de Bolsonaro, filhos e asseclas contra o presidente francês Emmanuel Macron (“meu crush é mais bonito que o seu”, “idiota”, “Doria francês” e por aí adiante) nada tem a ver com a defesa da soberania brasileira. É só um aspecto pueril da política de destruição e entreguismo adotada pelo atual governo. Não basta destruir os mecanismos de gestão de Estado, devastar os bens naturais e jogar por terra a Constituição de 1988. É necessário acabar com o que resta do respeito do Brasil no exterior, tornar o país um pária internacional. Que nacionalismo seria este?

Talvez Bolsonaro não queira ceder à Europa, aquele continente cheio de museus e prédios velhos no qual boa parte dos políticos e a maioria da sociedade continuam a defender ideias esdrúxulas como o Estado de Bem Estar. A Amazônia, nos delírios bolsonaristas, tem um único e merecido dono: os Estados Unidos de Donald Trump (“nosso presidente”, segundo o vice, Hamilton Mourão).

O suposto “nacionalista” não escondeu suas intenções durante a sua visita a Washington em abril. Foram estas as suas exatas palavras: “Quando estive agora com Trump, conversei com ele que quero abrir para ele explorar a região amazônica em parceria. Como está, vamos perder a Amazônia, aquela área é vital para o mundo”. Não se percam pelo português claudicante ou pela subserviência constrangedora.

Defensor dos valores da família, Bolsonaro mostra neste episódio não admitir promiscuidade. Se é para se entregar, que seja em nome de um grande amor, os Estados Unidos de Trump.

 

Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.

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