7 motivos comprovam que vivemos em um Brasil demente

Meus editores: 'Deixe de encher linguiça, Rui, volte a seu cantinho e se ajoelhe no milho, que é agronegócio'

(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil)

(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil)

Opinião

Aqui, semana a semana, vivo meio encarcerado nos agronegócios. Vez ou outra umas fugidas. A sina veio de 45 anos na atividade, histórico de posicionamento político à esquerda, raro em quem trata do setor, e a indicação dos amigos, o que mais valeu.

Assim meti o bedelho entre tantos e tantas luminares que aqui escrevem. Hoje em dia, até está fácil. Bastaria analisar política, economia, diversidade de gêneros e raças, em galhofas ou não. É o que mais vejo nas edições impressas.

Ou vocês acham mesmo que o professor Antônio Delfim Netto, em suas colunas, desacorçoa ou apenas disfarça seu voto em Bolsonaro? É o que faz a Folha de S.Paulo ao publicar colunas “de esquerda”, como as de Haddad, Jânio de Freitas, Laura Carvalho, Gregório Duvivier.

Outras publicações que ajudaram a destroçar o país seguem o exemplo. Neutralidade agora? Vejam as edições mais recentes de Veja e Época.

Meus editores: “Deixe de encher linguiça, Rui, volte a seu cantinho e se ajoelhe no milho, que é agronegócio”.

“Desculpem-me. Distraí-me, ouvindo Clementina de Jesus, em gravação de 1979 (Odeon). Na esteira, me encantei com uma das melhores capas da revista impressa: “Brasil demente!”

Vamos lá, reporto-as em “Miudinhas” (melhor se ‘mudinhas’).

1- Demente, sim, e nada o desmente;

2- MP 881, aprovada na Comissão do Congresso (PPS/RS). “Liberação dos trabalhos aos sábados e domingos, dispensado alvará de atividades de ‘baixo risco’, fiscalização do Estado. Leiam. Se patrões, gostarão;

3- Bolsominions, preferem OCDE à OMC. “Apoio indiano ao açúcar faz Brasil pedir painel na OMC”. É o que temos e não queremos. Fôssemos pedir painel na OCDE, lá colocariam a foto do atual chanceler (ainda existe a marca de cigarro?);

4- Números, caros editores? Nas últimas três safras, a Índia exportou, respectivamente, 10%, 6% e 13% de sua produção (cerca de 35 milhões de toneladas). O Brasil, 74%, 72% e 62% da produção (praticamente, a mesma da Índia). Não esqueçamos, pois, a produção brasileira de etanol, que sai dos mesmos pés-de-cana (epa!) de onde sai o açúcar. Pareceu-me briga de chihuahua com pitbull, mas se veio de Brasília, não duvido perdermos;

5- Logística perversa: “Novas regras para fretes pesam sobre o custo dos adubos”. Em 2018, segundo a Associação Nacional para a Difusão dos Adubos (ANDA) foram entregues 35 milhões de toneladas por quatro ou cinco empresas “nacionais”, mas concentradas em suas matrizes. Engolem a tudo nossos caboclos. Só que, amigos caminhoneiros, a agricultura consome perto de 80% de adubos importados e as indústrias estrangeiras cobram por eles pesados fretes marítimos. Vira-latas versus fila, pois, (é só entrar nela e esperar);

6- A AMPA/MT deve entrar na Justiça pedindo devolução de 150 milhões de dólares pagos em royalties. A associação de cotonicultores pede, também, a anulação da patente da semente da Monsanto;

7- “No problem”, disse o provável futuro embaixador do Brasil nos EUA: “I’m going to fry some of my hamburgers and distribute in the White House”.

Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.

 

Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.

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Criador e consultor da Biocampo Desenvolvimento Agrícola.

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