Hordas de gangsters e hunos foram às ruas valentemente. Mas, e daí?

Quem os indicou o inimigo, se nem mesmo sabem ler?

Fernando Frazão/Agência Brasil

Fernando Frazão/Agência Brasil

Opinião

Fontes confiáveis, que estiveram domingo, 26 de maio, na Avenida Paulista, me garantem ter presenciado hordas de gangsters e hunos que por lá apareceram de amarelo-vergonha, valentemente, enfrentando donos de bancas de jornais, a derrubar pilhas de exemplares de CartaCapital, e pisoteá-los com fúria bolsonarista.

Quem os indicou o inimigo, se nem mesmo sabem ler?

Bom pra nós, penso eu com as linhas de meu retrós – que os botões são de Mino Carta. Ficamos sabendo o que é a ultradireita e mais acreditamos no jornalismo que aqui se faz.

Hoje em dia, eles brigam entre si e até mesmo com os conservadores do Centrão e do Supremo Tribunal Federal (STF). Este que, acovardado, atestou a vitória de Bolsonaro nas eleições presidenciais ao manter Lula preso sem provas.

A ignorância deles é maiúscula. Até o ministro da Economia, Paulo Guedes, se mostrou espantado: “Nunca vimos isso antes, o povo nas ruas apoiando a reforma da Previdência”. Por dentro: “nem imaginam o quanto irão se ferrar ou coisa que o valha”.

Uns sábios, não? Mas os leitores e leitoras deste pequeno cronista já sabem de tudo isso. Apenas mantêm a paciência, pois esperam a finitude me fazer calar.

Vamos, então, ao encontro de assentados, caboclos, campesinos e sertanejos. Eles nos esperam com a cultura, narrada pelo saudoso professor Antônio Cândido, o trabalho pobre e inclemente, e as planilhas de economistas que acham serem eles um empecilho para o País.

Incluo aí os ruralistas, que muitos devem ter participado a favor dos “vou-mas-não-vou-mais” de Jair Bolsonaro, por que não? Para compensar as perdas provocadas pela disputa dos EUA com a China, Donald “Pele-Laranja” Trump, autorizou ajuda de até US$ 16 bilhões para os produtores norte-americanos.

E uma toupeira em forma de chanceler ainda exulta pelo fato de que os EUA apoiaram nossa admissão à OCDE em troca dos benefícios que tínhamos na OMC. Aquele, isso, aquele mesmo que azedou nossas relações comerciais com os países árabes.

Entre 2000 e 2018, o Brasil exportou oito vezes mais para os “brimos”. De 1,5 bilhão de dólares por ano para perto de 12 bilhões de dólares, respeitando o essencial procedimento sanitário e islâmico.

Bem, mas nem tudo é tão ruim assim. A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, acaba de declarar que os juros para agricultura familiar irão subir. De 2,5 % a.a. para 4,6%, quase o dobro. Pois não, diria Serafim, o português de meu “Dominó de Botequim”.

Devem esses nossos amigos pensarem: “pô, quando por efeito de excesso de oferta ou clima adverso dobramos os preços do arroz, feijão, leite, mandioca, batata-inglesa, tomate, banana, laranja, milho, hortaliças, legumes e frutas outras, o Bonner e a Renata nos chamam de vilões”.

No mesmo diapasão, até 14 de maio, foram aprovados 169 agrotóxicos para uso comercial na agricultura, muito acima do que ocorreu até 2015. Na próxima coluna, vou aos biológicos que substituem os agrotóxicos. Se não mudar de ideia.

Inté.

Nota: depois da estreia do site de CartaCapital, em que participei junto aos meus amigos Lino Bochini, Matheus Pichonelli e Zé Antônio Lima, na última edição da impressa, pela primeira vez, meu nome aparece no cantinho reservado à www.cartacapital.com.br. Sou assim, vaidoso e afetivo. Agradeço aos editores atuais.

 

Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.

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Criador e consultor da Biocampo Desenvolvimento Agrícola.

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