A lembrança de Ana Maria Primavesi me faz resistir a este 2020

Agrônoma, professora e criadora da agroecologia faleceu no domingo, 5 de janeiro de 2020, aos 99 anos de idade

Ana Maria Primavesi (Foto: Virgínia Knabben/Facebook)

Ana Maria Primavesi (Foto: Virgínia Knabben/Facebook)

Opinião

De fato, “tudo o que é ruim, pode piorar”. Assim terminei pensando sobre 2020, segundo ano do Regente Insano Primeiro, no Poder Executivo da Federação de Corporações.

Fora suas patacoadas, pensamentos de quem nada leu, filhos boquirrotos, ministério e assessores pífios, economia entre um locutor de leilões, técnico de baixo escalão, sem saber como estimular indústria, comércio e serviços, setores que oferecem empregos, e inação total em investimentos públicos, da mesma forma setores empregadores.

Conforme anota grande amigo que tenho no Paraná, “sabíamos que RIP não era mito porra nenhuma, mas azarado não precisava ser”. Pior é ele ter-nos trazido a sina de um político, capitão reformado, que, em 28 anos, nada fez de concreto? Inglório imbecil.

Mas vamos às nossas glórias. Faleceu no domingo, 5 de janeiro de 2020, aos 99 anos, a agrônoma, professora e criadora da agroecologia, Ana Maria Primavesi.

Quem me avisou foi Virgínia Knabben, que escreveu a biografia desse eterno orgulho, “Ana Maria Primavesi – Histórias de Vida e Agroecologia” (Expressão Popular, 2017), e lançou no final de 2018 o site www.anamariaprimavesi.com.br.

Não pude comparecer ao funeral. Estava fora de São Paulo. Fiz o mínimo, dedicando às duas um post em meu blog do GGN.

Esta foi a única causa que justificou a minha volta prematura à tela do site. Prometera duas semanas sabáticas.

Entre 2016 e 2018, dediquei quatro colunas à Rainha da Agroecologia.

Há dez anos, baseado em seus ensinamentos e imagens, assessoro empresa produtora e distribuidora de insumos com perfis organominerais.

Não tenho certeza de nossa efetividade, mas em dez anos crescemos à base de 25% ao ano, mais do que qualquer tecnologia de moléculas sintetizadas em laboratórios de multinacionais ou importadas e vendidas por empresas nacionais.

Condicionadores de solo à base de turfa, compostos orgânicos originados de resíduos vegetais, extratos de algas marinhas, ácidos húmicos e fúlvicos, aminoácidos, controladores de pragas vindos da queima de madeiras para a produção de carvão, óleos essenciais de proteção, micronutrientes em base de proliferação sobre melaço.

Foram milhares de quilômetros. Em conta rápida, calcularia 250 mil, em andanças por campos, sítios, fazendas, tentando convencer caboclos, campesinos, sertanejos e grandes proprietários rurais que menores aplicações de agroquímicos e agrotóxicos são realmente mais, por desnecessários em doses campeãs mundiais.

Isso, vencendo às muitas resistências, desde o analfabetismo agronômico e funcional dos agricultores até o acomodamento de agrônomos e técnicos agrícolas, passando pela prepotência dos chamados RTV – representantes técnicos de vendas -, a soldo e benefícios que não podemos cobrir, e à poderosa máquina de divulgação de nossos concorrentes.

A lembrança de Ana Maria Primavesi me faz e fará resistir. Não só. Decanos de escolas de agronomia, como meus amigos da Esalq, Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (casa do Lulinha, babacas?).

Mas se a nossa inspiradora se foi, e deixou tanta sabedoria para nós, CartaCapital e eu deixamos loas aos professores do Departamento de Agroecologia, o decano Adilson Paschoal, professores Carlos Armênio Kathounian, Ana Novembre, Ângelo Jacomino, Cláudia Mattiuz, Durval Neto, Edgar Beauclair, Fernando Piotto, Francisco Assis Mourão, Guilhen, Scarpare, Savarin, e duas lindas Simones.

Isso, só da Esalq. Mas juntem-se aí Lavras, Viçosa, Rural do Rio de Janeiro, federais de todo o Brasil, hoje açodadas pelo imbecil Weintraub, e venham todos defenderem o legado de nossa rainha, Ana Maria Primavesi.

Inté!

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Criador e consultor da Biocampo Desenvolvimento Agrícola.

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