Mundo

Xi Jinping recebe Putin na China e elogia relação ‘propícia à paz’ mundial

O presidente russo, por sua vez, destacou que relações entre os dois países “não são oportunistas, nem direcionadas contra ninguém”

Foto: Sergei BOBYLYOV / POOL / AFP
Apoie Siga-nos no

O presidente da China, Xi Jinping, afirmou nesta quinta-feira que sua relação com a Rússia é “propícia à paz” mundial e defendeu uma cooperação ainda mais intensa ao receber em Pequim o “velho amigo” Vladimir Putin.

Esta é a primeira viagem ao exterior de Putin desde sua reeleição em março e a segunda em 18 meses à China, um aliado econômico crucial para a Rússia após as sanções impostas pelos países ocidentais por sua ofensiva na Ucrânia.

O presidente chinês, que fez referência ao convidado como um “velho amigo”, declarou que a relação entre Pequim e Moscou “não é apenas de interesse fundamental para os dois países e os dois povos, mas igualmente é propícia à paz”.

“A atual relação entre China e Rússia foi conquistada com esforço. As duas partes devem apreciá-la e cultivá-la”, insistiu, segundo trechos do discurso divulgados pelo Ministério das Relações Exteriores.

O presidente russo destacou que relações entre os dois países “não são oportunistas, nem direcionadas contra ninguém”.

“Nossa cooperação nos temas internacionais é um dos fatores de estabilidade no cenário internacional”, disse Putin, segundo a transmissão nos canais de televisão russos.

“Amizade pessoal”

A viagem pretende reafirmar a amizade “sem limites” que os dois presidentes proclamaram alguns dias antes do início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Desde então, a relação diplomática e comercial entre Pequim e Moscou ficou ainda mais intensa.

Xi ignorou as críticas ocidentais sobre a aliança, que permite à China importar energia barata da Rússia e ter acesso aos seus vastos recursos naturais.

“Esta é a primeira viagem de Putin desde a sua posse e pretende demonstrar que as relações China-Rússia entraram em outro nível”, declarou à AFP o analista político russo independente Konstantin Kalachev.

“Sem falar na amizade pessoal, visivelmente sincera entre os dois líderes”, acrescentou o analista. Este é o quarto encontro presencial entre Putin e Xi desde o início da invasão da Ucrânia.

O presidente russo se declarou “agradecido” à China por suas iniciativas de paz no conflito ucraniano, segundo as agências russas.

Em declarações à imprensa ao lado de Xi, Putin considerou “prejudicial” qualquer aliança política e militar “fechada” na região Ásia-Pacífico, onde Pequim trava uma disputa com os Estados Unidos, que cooperam com a Austrália e o Reino Unido para enfrentar a influência da China.

A China pede com frequência respeito à integridade territorial de todos os países (incluindo, implicitamente, a da Ucrânia), mas também defende que as preocupações da Rússia em termos de segurança sejam levadas em consideração.

“As partes concordam que o caminho a seguir é o de uma solução política para a crise na Ucrânia”, declarou Xi à imprensa. Também destacou que “a posição da China nesta questão sempre foi clara”.

A China se apresenta como uma nação neutra na guerra da Ucrânia, mas é criticada pelos países ocidentais por não condenar a invasão e por ampliar a cooperação econômica com a Rússia.

Washington estabeleceu um limite a Pequim: não deve fornecer armas diretamente a Moscou. O governo americano afirma que, até o momento, não teve provas do contrário.

Freio no comércio

Após a invasão da Ucrânia, o comércio entre China e Rússia disparou e atingiu o nível recorde de 240 bilhões de dólares (1,23 trilhão de reais) em 2023, segundo os dados oficiais de Pequim.

As exportações da China para a Rússia, no entanto, registraram queda em março e abril na comparação com o ano passado, depois que o governo dos Estados Unidos ameaçou adotar sanções contra os bancos chineses.

A ameaça, aliada ao desejo de reparar as relações com Washington, deixa Pequim mais relutante em estimular ainda mais a cooperação com a Rússia, apesar da vontade de Moscou, dizem analistas.

China e Rússia, no entanto, assinaram vários acordos comerciais durante a visita de Putin.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo