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Violência e corrupção se agravaram ‘ainda mais’ no Haiti, alerta ONU

Há um ano, a violência das gangues, que reforçaram seu controle na capital e em outras regiões

Um policial tenta conter protestos contra o primeiro-ministro haitiano, Ariel Henry. Foto: Richard Pierrin / AFP
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Aumento da violência entre gangues, impunidade “generalizada”, corrupção “endêmica”… A crise no Haiti “agravou-se ainda mais” no último ano, advertiu, nesta quarta-feira 27, o secretário-geral da ONU, António Guterres, que pediu “um sólido apoio internacional”.

“A crise multifacetada que o Haiti atravessa, marcada sobretudo pela violência das gangues organizadas, agravou-se ainda mais desde o estabelecimento do regime de sanções”, em outubro de 2022, que neste momento visa apenas um líder de uma gangue”, escreveu Guterres em um documento publicado nesta quarta-feira.

O relatório vem à tona quando os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas estão negociando o mandato de uma força internacional solicitada por Porto Príncipe para apoiar a sobrecarregada polícia do país caribenho, uma missão alheia à ONU e cujo comando deve ser assumido pelo Quênia.

Há um ano, a violência das gangues, que reforçaram seu controle na capital e em outras regiões, “tonou-se ainda mais intensa e mais brutal”, descreveu Guterres, ao mencionar os estupros utilizados como arma de terror, os franco-atiradores nos terraços e pessoas queimadas vivas, mas também o aparecimento recente de um movimento de autodefesa.

Entre outubro de 2022 e junho de 2023, foram registrados quase 2.800 assassinatos, incluindo quase 80 contra menores, segundo o relatório.

O número de sequestros para pedir resgate, provavelmente subestimado, também aumentou com quase 1.500 casos este ano.

Essa violência “é alimentada pelo tráfico de armas e munições”, principalmente dos Estados Unidos, e “por fluxos financeiros ilícitos”, denunciou o secretário-geral.

Como resultado, “os membros das gangues armadas são mais numerosos e estão melhor armados” que os aproximadamente 14 mil policiais contabilizados no final de junho de 2023. E “utilizam armas de maior calibre e equipamentos mais sofisticados”.

Diante dessa situação, mais de 5% do efetivo abandonou a polícia no primeiro semestre do ano.

O relatório também destacou que “a impunidade segue sendo um problema generalizado”.

Vários casos emblemáticos, incluindo o assassinato do último presidente, Jovenel Moïse, há dois anos, não avançam e a segurança dos juízes é um problema.

Além disso, “a corrupção segue sendo endêmica” em todos os setores do Estado, do suborno à apropriação indevida de fundos, além da lavagem de dinheiro, acrescentou o documento.

Em um sistema judicial saturado, a situação nas prisões também tem se deteriorado, com uma superfície média de 0,3 metro quadrado para cada um dos 11.800 detentos (9.500 deles em prisão preventiva).

“A estabilização das condições de segurança no Haiti exigirá um sólido apoio internacional, não apenas para que a polícia nacional restabeleça a segurança, mas também para os serviços penitenciários, o sistema judicial, os controles aduaneiros e a gestão de fronteiras”, insistiu o secretário-geral da ONU.

E para isso, deve-se contar com um financiamento “adequado”.

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