Trump nega mortes de americanos e diz que fará novas sanções ao Irã

'Eliminamos o maior terrorista do mundo', diz o presidente americano em pronunciamento no início desta tarde

O presidente norte-americano Donald Trump Foto: Brendan Smialowski/AFP

O presidente norte-americano Donald Trump Foto: Brendan Smialowski/AFP

Mundo

O presidente norte-americano Donald Trump afirmou que os Estados Unidos eliminaram o “maior terrorista do mundo” ao matarem Qasem Soleimani, general iraniano de alto escalão, e esclareceu que nenhum americano ou iraquiano foi morto após os ataques do Irã a uma base militar no Iraque.

“Não sofremos baixas, todos os nosso soldados estão seguros, e apenas danos mínimos foram infringidos às nossas bases americanas”, disse o presidente.

Além disso, Trump afirmou que os EUA irão “imediatamente” infringir novas sanções econômicas ao Irã, e que a situação deve permanecer assim até que o país árabe “mude o seu comportamento”.

O presidente americano afirmou que Soleimani estava planejando mais supostos ataques contra cidadãos americanos, mas que foi impedido pelos EUA. “Nós o paramos. As mãos deles estavam cheias de sangue americano e iraquiano. Ele deveria ter sido executado há muito tempo. Nós mandamos uma mensagem poderosa aos terroristas. Se vocês valorizam suas vidas, não irão ameaçar a a vida das pessoas.”, disse Trump.

“Ele era responsável por uma das piores atrocidades. Ele treinava terroristas. Ele promovia guera sangrenta em toda a região. De maneira cruel ele causou a morte de diversas pessoas. Ele orquestrou o assalto violento contra a embaixada americana em Bagdá. Ele deveria ter sido executado ha muito tempo”, continuou Trump. Até o momento, o governo norte-americano não apresentou evidências dos planos de Soleimani para a imprensa.

Esta é a primeira vez que o presidente Donald Trump fala, embora brevemente, sobre os ataques do Irã em bases militares norte-americanas. A primeira reação se deu no Twitter, onde Trump escreveu que estava “tudo bem” na noite da terça-feira.

Ao menos doze foguetes iranianos caíram na noite da terça-feira 7 na base aérea de Ain al Assad, no oeste do Iraque. O ataque foi uma retaliação em resposta a uma ação americana que, na sexta-feira 3, matou o general iraniano Qasem Soleimani e o líder militar iraquiano Abu Mahdi al Muhandis em Bagdá, também no Iraque.

“Está tudo bem! Mísseis lançados do Irã em duas bases militares localizadas no Iraque. Avaliação das vítimas e danos ocorrendo agora. Por enquanto, tudo bem! Temos, de longe, as forças armadas mais poderosas e bem equipadas do mundo! Farei uma declaração amanhã de manhã”, escreveu o presidente americano.

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, disse em um discurso divulgado pela televisão que o ataque tinha sido “uma bofetada na cara” dos americanos. “O que importa é que a presença corrupta dos Estados Unidos nesta região tem que terminar”, frisou.

Pelas redes sociais, o ministro de Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, escreveu que “o Irã adotou e concluiu medidas proporcionais em autodefesa”, além de afirmar que o país não busca “a escalada [do conflito] ou a guerra”, mas sim se defenderem de qualquer agressão. Além disso, Zarif mencionou o Artigo 51 da Carta da ONU (Organização das Nações Unidas)

O governo brasileiro não comentou sobre os ataques iranianos às bases norte-americanas, mas se posicionou após a morte do general Soleimani em uma nota que gerou tensão entre as forças diplomáticas dos países.

“Ao tomar conhecimento das ações conduzidas pelos EUA nos últimos dias no Iraque, o Governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo e reitera que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional sem que se busque qualquer justificativa ou relativização para o terrorismo.”, diz a nota divulgada pelo Itamaraty.

Em resposta, a Chancelaria do Irã convocou o representante do Brasil em Teerã, no domingo 5, para pedir explicações à diplomacia brasileira sobre o posicionamento.

*Nota em atualização

*Com informações da AFP

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