Presidente do Peru confirma renúncia do gabinete ministerial

Pedro Castillo disse que tem tomado atitudes 'em favor da governabilidade'; seu governo teve início em julho deste ano

Pedro Castillo, o novo presidente do Peru. Foto: Karel Navarro/Peruvian Presidency/AFP

Pedro Castillo, o novo presidente do Peru. Foto: Karel Navarro/Peruvian Presidency/AFP

Mundo

O presidente do Peru, Pedro Castillo, anunciou a renúncia de todo o seu gabinete ministerial, em uma rápida aparição na televisão estatal nesta quarta-feira 6. A nova equipe ainda deve ser oficializada.

Castillo informou que aceitou um pedido de renúncia do presidente do Conselho de Ministros, Guido Bellido Ugarte, a quem agradeceu por serviços prestados.

 

 

No discurso, Castillo reforçou um aceno para a iniciativa privada.

“Desde que assumi o governo, venho trabalhando arduamente para cumprir com todos os compromissos assumidos com o meu povo”, disse Castillo. “Como anunciamos na agenda internacional, ratificamos o compromisso do Peru com o investimento privado, remarcando a necessidade de que opere sem corrupção e com responsabilidade social, priorizando a diversificação produtiva nacional.”

Na sequência, Castillo disse que tem tomado posições “em favor da governabilidade”.

“Tenho decidido tomar algumas decisões em favor da governabilidade”, prosseguiu. “O equilíbrio de poderes é a ponte entre o Estado de Direito e a democracia e deve procurar a tranquilidade e a coesão no governo. É assim que a questão da confiança e a interpelação pela censura não deveriam ser usadas para criar instabilidade política.”

“O Peru espera muito de suas autoridades. É o momento de colocar o Peru acima de toda ideologia e posições partidárias isoladas. Por isso, informo ao país que, no dia de hoje, aceitamos a renúncia do presidente do Conselho de Ministros, Guido Bellido Ugarte”, afirmou.

Bellido estava no cargo desde 29 de julho, após a posse de Castillo. Na carta de demissão, Bellido agradeceu ao governo pela oportunidade e pela confiança e disse que cumpriu com todas as funções correspondentes ao posto, mas não expôs o motivo da sua saída.

 

 

Keiko Fujimori defendia ações contra Bellido

A jornalistas do Peru, nesta quarta-feira 6, a principal adversária de Castillo, Keiko Fujimori, havia defendido a instauração de ações contra Bellido e o ministro da Justiça, Aníbal Torres.

Keiko criticava rumores de que o governo planejava transferir o seu pai de prisão – o ex-ditador Alberto Fujimori está encarcerado há 25 anos por massacres no seu governo. Segundo a política de extrema-direita, o governo peruano queria aproveitar a internação de seu pai em uma clínica médica para fazer o traslado.

Keiko também criticou o ministro do Trabalho, Iber Maraví, depois que ele avisou publicamente que apresentaria uma queixa judicial contra ela. Maraví disse que era para Keiko “se preparar” para provar na Justiça as acusações de que ele teria participado de crimes pelo grupo guerrilheiro Sendero Luminoso, nos anos 1970.

A oposição ao governo Castilo se mobilizava por uma “moção de censura” ao ministro Maraví, depois de acusações de que ele participou de ações terroristas no passado. A ferramenta seria, na prática, um pedido para que ele renunciasse. Havia suspeitas, no entanto, de que o governo rebatesse a medida com outro instrumento, que leva o nome de “questão de confiança”, um dispositivo constitucional que protegeria o ministro.

“O governo de Castillo anuncia a questão de confiança para defender um ministro acusado de participar ativamente de atentados de Sendero”, exclamou Keiko Fujimori nas redes sociais. “Nunca esteve tão claro o que está em jogo: o terrorismo contra todos os peruanos.”

 

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Repórter do site de CartaCapital

Compartilhar postagem