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Hamas liberta novo grupo de reféns e estaria ‘disposto a prolongar trégua’ com Israel

Israel libertou 30 palestinos – sete mulheres e 23 menores – detidos em prisões do país

Reféns chegam em base israelense em 1º de dezembro de 2023. Foto: Oren Ziv/AFP
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O Hamas está “disposto a prolongar a trégua” com Israel, garantiu nesta quinta-feira 30 uma fonte próxima ao movimento islamista, enquanto os Estados Unidos pediram a Israel a delimitação de zonas “seguras” para os civis de Gaza caso a ofensiva contra o território palestino seja retomada.

No sétimo dia do acordo, o Exército e o gabinete do primeiro-ministro israelense anunciaram que um novo grupo de seis israelenses foi libertado em Gaza pelo movimento palestino e chegou a Israel, juntando-se a outras duas reféns libertadas horas antes.

Posteriormente, Israel libertou 30 palestinos – sete mulheres e 23 menores – detidos em prisões do país, anunciou a autoridade penitenciária israelense.

Uma fonte próxima ao Hamas, que pediu anonimato, indicou que o grupo islamista estava “disposto a prolongar a trégua”, vigente desde 24 de novembro e que deve expirar nesta sexta-feira 2h de Brasília. Acrescentou que os mediadores realizam “intensos e contínuos esforços para [obter] mais um dia de trégua e depois trabalhar por prolongá-la por mais dias”.

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, pediu a extensão do acordo “para um oitavo dia e além”.

“É claro que queremos que o processo continue avançando”, declarou o chefe da diplomacia americana à imprensa em Tel Aviv, após uma reunião com os líderes de Israel e da Autoridade Palestina na Cisjordânia ocupada.

Israel “deve por em prática planos que minimizem as mortes de palestinos inocentes” e “delimitar de forma clara e precisa zonas e lugares do sul e centro de Gaza onde [os cidadãos] possam estar seguros e fora da linha de fogo”, acrescentou.

Proteger os civis

Em um encontro com o presidente de Israel, Isaac Herzog, Blinken afirmou que a trégua “está dando resultados, é importante e esperamos que continue”.

O secretário de Estado se reuniu em seguida com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, a quem disse que é “imperativo” proteger os civis e “garantir as necessidades humanitárias” em Gaza em caso de fim da trégua.

Segundo a ONU, 1,7 milhão dos 2,4 milhões de habitantes da Faixa de Gaza foram deslocados pela guerra e sofrem com a escassez de alimentos, água, medicamentos e combustível causada pelo cerco israelense.

A trégua entre Israel e Hamas devia terminar na manhã desta quinta-feira, após uma primeira prorrogação de dois dias, mas ambos os lados anunciaram a extensão do acordo por mais um dia, minutos antes de sua expiração.

Contudo, Israel prometeu continuar sua ofensiva para destruir o Hamas assim que o processo de trégua acabar. “Juramos eliminar o Hamas e nada irá nos deter”, lembrou Netanyahu em um vídeo divulgado por seu gabinete após a reunião com Blinken.

Os combates começaram em 7 de outubro, quando militantes do Hamas lançaram um ataque contra o sul de Israel, no qual mataram 1.200 pessoas, a maioria civis, e sequestraram cerca de 240, segundo as autoridades israelenses. Entre os mortos, há mais de 300 militares.

Israel respondeu com uma ofensiva aérea e terrestre contra a Faixa de Gaza, que matou quase 15.000 pessoas, também civis na maioria, segundo o governo do território.

Novos reféns libertados

O Hamas libertou nesta quinta-feira um total de oito reféns, dois menores e seis mulheres, incluindo cidadãos de Uruguai, México e Rússia, segundo o Catar, um mediador das negociações.

“O sétimo grupo já foi totalmente libertado, após outros dois [reféns] terem sido libertados anteriormente”, afirmou o braço armado do Hamas, as Brigadas Ezzedine Al Qasam.

Uma fonte próxima ao Hamas declarou à AFP que as duas reféns russo-israelenses libertadas na quarta-feira faziam parte deste sétimo grupo e, “portanto, o número de prisioneiros do sétimo grupo sobe para 10”.

Em resposta, Israel libertou 30 palestinos, todos mulheres e menores.

Desde 24 de novembro, o acordo de cessar-fogo permitiu a libertação de 80 reféns israelenses e de 210 palestinos, aos quais devem se somar mais 30.

Além disso, mais de 20 reféns estrangeiros, na maioria tailandeses que vivem em Israel, foram libertados fora do âmbito do acordo.

“Verdadeiro cessar-fogo”

Apesar de o cessar-fogo ter permitido um aumento significativo na quantidade de ajuda humanitária que chega à Faixa de Gaza, a situação continua sendo “catastrófica”, avaliou o Programa Mundial de Alimentos, que afirma que “existe risco de fome”.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu um “verdadeiro cessar-fogo humanitário” e afirmou que os habitantes de Gaza sofrem “uma catástrofe humanitária épica”.

“Temos medo de que o cessar-fogo termine e que os problemas e os bombardeios comecem novamente”, disse Mohamad Naasan, residente na cidade de Gaza, à AFPTV, nesta quinta-feira.

A violência em Gaza também aumentou as tensões na Cisjordânia ocupada, onde quase 240 palestinos morreram nas mãos de soldados ou colonos israelenses desde 7 de outubro, segundo a Autoridade Palestina, com sede em Ramallah.

Horas após a última extensão do cessar-fogo, o Hamas reivindicou um tiroteio no oeste de Jerusalém que deixou três mortos e pediu uma “escalada da resistência”.

Os dois agressores foram “abatidos” no local do incidente, uma parada de ônibus na parte ocidental da cidade, de acordo com a polícia israelense.

Dois soldados israelenses ficaram levemente feridos nesta quinta-feira em outro ataque a um posto de controle na Cisjordânia ocupada, segundo o Exército. O agressor também foi “abatido”.

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