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O que diz Milei sobre a primeira reunião com Alberto Fernández na Argentina

Também nesta terça, o presidente em fim de mandato afirmou não se sentir responsável pela derrota de Sergio Massa, seu ministro da Economia

Encontro entre Alberto Fernández e Javier Milei, em 21 de novembro de 2023. Foto: AFP/Presidência da Argentina
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O presidente eleito da Argentina, Javier Milei, revelou detalhes de sua reunião com o presidente Alberto Fernández, nesta terça-feira 21, em Buenos Aires. A agenda marcou o início formal da transição entre governos, até a posse, em 10 de dezembro.

“Foi uma conversa muito cordial e produtiva. Levantamos nossas diferenças de forma educada”, disse o ultradireitista. “Passamos muito tempo conversando, para mim foi valioso. Conversamos sobre a transição, a política interna, a política internacional e a questão social.”

Milei afirmou haver diversos aspectos sobre os quais ele e Fernández têm visões contrastantes, mas disse que deve prevalecer o “pragmatismo”.

“Nesse sentido, é muito valioso levar a experiência de quem esteve no cargo”, prosseguiu. Ele também disse manter conversas com o ex-presidente Mauricio Macri, que o apoiou no segundo turno da eleição contra o peronista Sergio Massa.

As declarações foram concedidas por Milei ao jornalista Manuel Adorni, no YouTube.

Também nesta terça, em entrevista à emissora colombiana NTN24, Alberto Fernández afirmou não se sentir responsável pela derrota de Massa, seu ministro da Economia, e disse torcer para que Milei “faça bem as coisas” após tomar posse.

Em suas primeiras declarações após a derrota da coalizão Unión por la Patria, Fernández avaliou que seu campo político deve “repensar” o que aconteceu nos últimos quatro anos.

Ele mencionou problemas enfrentados em seu governo, como a pandemia, a guerra na Ucrânia, uma seca histórica e obstáculos deixados pela gestão de Macri, como uma inflação galopante e uma dívida superior a 50 bilhões de reais com o Fundo Monetário Internacional.

“A verdade é que, dadas as adversidades que vivemos, os resultados deveriam ser mais ponderáveis. Porém, a falta de dólares que a seca nos causou impulsionou a inflação que herdamos de Macri”, afirmou. “Não busco culpados, estou pedindo uma reflexão.”

A Argentina tem uma inflação superior a 140% nos últimos 12 meses. A disparada nos índices, contudo, não começou no atual governo – o país fechou 2014, ano anterior à eleição de Macri, com uma taxa de 23,9%.

Confira os índices de cada um dos anos do governo de Mauricio Macri:

  • 2016: 26,5%
  • 2017: 25,7%
  • 2018: 34,3%
  • 2019: 53,5%.

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