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O primeiro aniversário da invasão do 8 de Janeiro visto pela imprensa europeia

Um ano depois da invasão das sedes do Congresso, do STF e do Palácio do Planalto por bolsonaristas, a imprensa europeia faz um balanço das medidas tomadas contra os golpistas e avalia o estado da democracia no Brasil

Reprodução/Rubens Gallerani Filho/Audiovisual/PR/Twitter/José Guimarães
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Em uma longa reportagem transmitida nesta segunda-feira (8), o canal de TV francês CNews relata que a operação “Lesa Pátria”, lançada pela Polícia Federal para identificar os participantes, os autores intelectuais, as pessoas que financiaram o ataque golpista e os membros da administração pública que foram cúmplices, “resultou na abertura de 1.340 processos judiciais”. 

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi declarado inelegível por oito anos, recorda a emissora, “e continua sendo investigado pelo Supremo como possível instigador e autor intelectual da tentativa de golpe de Estado para derrubar o presidente Lula”, na época recém-empossado.

O correspondente em Brasília do canal BFMTV traduz trechos de uma entrevista recente do ministro Gilmar Mendes. O juíz do STF afirma que “a implicação política” do ex-presidente de extrema direita é “inequívoca”.

Em Portugal, o jornal Público afirma que o ataque a Brasília faz um ano, “mas a polarização que o criou ainda permanece”. Na avaliação do veículo, “o presidente Lula tentará apresentar uma imagem de unidade em torno dos valores democráticos, visados naquele dia fatídico pela multidão em fúria de apoiadores do seu antecessor, Jair Bolsonaro”, assinala o texto.

O espanhol El País elogia a atuação do novo governo. Um podcast que figura entre as cinco principais chamadas de capa do site do El País recebeu o título “O Brasil de Lula: assim se reconstrói um país depois da extrema direita”. Um ano após o ataque frustrado dos bolsonaristas às instituições brasileiras, “a maior democracia da América Latina recupera a estabilidade sob a liderança do presidente Lula, melhora a economia, a proteção ambiental e as taxas de pobreza começam a recuar“, sublinha a apresentação.

Militares permanecem impunes

Uma reportagem da correspondente em Brasília informa sobre a cerimônia Democracia Inabalada, prevista na tarde desta segunda-feira (8) no Congresso Nacional. No texto, Naiara Galarraga Gortazár conta que um ano depois dos atos golpistas, as relações de Lula com os militares continuam tensas.

A reportagem cita trechos do livro “Poder camuflado: os militares e a política, do fim da ditadura à aliança com Bolsonaro”, vencedor do Prêmio Jabuti em 2023. Seu autor, o jornalista Fabio Victor, diz que a desconfiança de Lula em relação aos militares “cresceu exponencialmente”. Os primeiros condenados implicados na depredação das instituições brasileiras receberam penas exemplares. Por outro lado, “o castigo em relação aos militares envolvidos na tentativa de golpe tem sido, até agora, pontual e leve”, constata El País

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