Nobel de Literatura Toni Morrison morre aos 88 anos

A escritora americana foi a primeira mulher negra a vencer o prêmio Nobel de Literatura

Nobel de Literatura Toni Morrison morre aos 88 anos

Mundo

Toni Morrison, a primeira mulher negra a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, morreu após uma breve doença, informou a família em um comunicado divulgado nesta terça-feira 6. “Apesar de sua morte representar uma tremenda perda, estamos gratos por ela ter tido uma vida longa e bem vivida”, afirmou a nota. Ela tinha 88 anos.

Toni é autora do romance Amada, obra que lhe rendeu o Pulitzer de ficção em 1988. O filme baseado no livro, que conta a história de uma ex-escrava, foi lançado em 1939 e teve Oprah Winfrey no elenco. Em 1993, quando recebeu o Nobel, maior e mais importante prêmio de literatura, o comitê da Academia Sueca afirmou que o reconhecimento foi dado a Morrison, uma escritora “que, em romances caracterizados por força visionária e e teor poético, dá vida a um aspecto essencial da realidade americana”.

Da escravidão à emancipação

Morrison ficou conhecida por dar visibilidade literária aos negros. Ela explorou a história dos afro-americanos, da escravidão à emancipação na sociedade atual. Segundo o comitê da Academia Sueca, o prêmio Nobel foi dado a Morrison, uma escritora “que, em romances caracterizados por força visionária e teor poético, dá vida a um aspecto essencial da realidade americana”.

Chloé Anthony Wofford nasceu em 18 de fevereiro de 1931, em Lorain, perto de Cleveland, Ohio, em plena Grande Depressão. Wofford era o sobrenome do fazendeiro branco proprietário de seus avós escravos. Criada em um meio humilde, mas multicultural, ela afirma que nunca teve consciência da segregação até ir estudar, em 1949, na Universidade Howard, conhecida como a “Harvard negra”, em Washington.

Militante

Ela continuou seus estudos na Universidade de Cornell, onde apresentou uma tese sobre os suicídios de William Faulkner e Virginia Woolf. Durante o período de luta pelos direitos cívicos, ela se tornou editora na Random House e militou pela causa negra, publicando as biografias de Mohammed Ali e Angela Davis.

Em 1970, ela publicou O Olho Mais Azul, sobre uma adolescente negra que sonha com bonecas de olhos azuis e que se perde na loucura após ficar grávida de seu pai adotivo. Na época, o livro vendeu apenas 700 cópias. Mas sua antologia de autores negros O Livro Negro (1974), tornou-se uma referência.

Em 2015, ela publicou seu último romance, o décimo primeiro, Deus Ajude Essa Criança. Em 2006, Toni Morrison veio ao Brasil, onde participou da 4ª Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip.

*Com informações da RFI

 

 

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Compartilhar postagem