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‘Não atingimos os objetivos’: Fernández se despede na Argentina e prepara transferência para Milei

Em pronunciamento, o presidente reivindicou realizações sob seu governo, mas admitiu derrotas em temas sensíveis para a população

Alberto Fernández no discurso de despedida da Presidência da Argentina. Foto: Presidência Argentina
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O presidente da Argentina, Alberto Fernández, proferiu nesta sexta-feira 8 um discurso em rede nacional para se despedir do cargo. Neste domingo 10, o ultradireitista Javier Milei tomará posse como o próximo chefe da Casa Rosada.

No pronunciamento, Fernández reivindicou realizações sob seu governo, mas admitiu derrotas em temas sensíveis para a população.

“Nesse período , não conseguimos alcançar uma matriz económica sólida, que permitisse o acesso a uma vida digna para todos. Ampliamos direitos, mas ainda falta. Colocamos a Justiça Social como horizonte, mas não a alcançamos”, disse o peronista.

“Sabemos que não atingimos os objetivos a que nos propusemos no fortalecimento da renda, no combate à inflação e na redução da pobreza. Porque as circunstâncias e o contexto não nos convinham e também porque deveríamos ter feito melhor ou diferente – ou porque não encontramos as ferramentas adequadas.”

Fernández mencionou as principais dificuldades enfrentadas por sua gestão, como a pandemia da Covid-19, uma seca histórica e as consequências do empréstimo de 57 bilhões de dólares contraído com o Fundo Monetário Internacional por seu antecessor, o neoliberal Mauricio Macri.

“Nestes quatro anos sofremos os efeitos negativos de uma dívida que o governo que me precedeu assumiu de forma irresponsável”, resumiu. “Essa é a principal causa da nossa crise social e econômica.”

A transição de um presidente de centro-esquerda para um de ultradireita ocorre exatamente na marca de 40 anos da redemocratização, processo que colocou fim a uma das mais brutais ditaduras militares da América do Sul (1976-1983).

“A geração que se despediu da ditadura, com medo de que em algum momento de nossa história se repetisse o ciclo de autoritarismo, não poderia imaginar que, quatro décadas mais tarde, viveríamos a transição de um governo de uma força política para outra completamente diferente. Ambas eleitas pelo povo.”

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