Na França, indígenas soam alarme para o desmatamento da Amazônia

'Convidamos a comunidade global a se juntar a nós no desafio de reverter o processo de destruição de nossa terra', afirmou Díaz Mirabal

Foto: Raphael Alves / AFP

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Mundo,Sustentabilidade

Povos indígenas da Amazônia incitaram neste domingo 5 chefes de estado e de governo a apoiarem uma nova meta de proteção de 80% da bacia Amazônica, até 2025, e pediram ações mais fortes para conter o desmatamento. Eles participaram do Congresso Mundial de Conservação, que acontece até 11 de setembro em Marselha, no sul da França.

“Convidamos a comunidade global a se juntar a nós no desafio de reverter o processo de destruição de nossa terra e salvaguardar o futuro do planeta “, afirmou José Gregorio Díaz Mirabal, Coordenador Global da COICA, entidade que representa os 505 povos indígenas dos nove países da Bacia do rio Amazonas.

Esta é a primeira vez que as Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA) participam como membros titulares do congresso organizado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) faz parte da COICA.

Atualmente, um pouco menos da metade da bacia amazônica se beneficia de alguma forma de proteção oficial ou gestão autônoma por povos indígenas, de acordo com um estudo publicado no ano passado pela Rede de Informação socioambiental da Amazônia.

Porém, a região segue ameaçada pela agricultura, mineração, exploração de petróleo e silvicultura. No Brasil, país que abriga 60% dessa região bioclimática, o desmatamento aumentou a um nível sem precedentes em doze anos, de acordo com os dados mais recentes disponíveis. As entidades de proteção ambiental denunciam que a situação piorou desde a chegada do presidente Jair Bolsonaro ao poder, em 2019.

Região perdeu 18% da cobertura vegetal

A bacia Amazônica como um todo perdeu 18% de sua cobertura florestal original e 17% de sua superfície estão degradados, de acordo com um estudo feito por 200 cientistas, publicado em julho.

O pesquisador brasileiro Carlos Nobre, especialista em sistemas climáticos, alerta que “se a taxa de desmatamento na Amazônia chegar a 20-25%, a região poderia ser arrastada para uma espiral mortal que a fará secar e se transformar em uma savana”.

O Congresso Mundial de Conservação é organizado a cada quatro anos pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), uma organização que reúne governos, associações da sociedade civil e cientistas.

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