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Israel volta a bombardear Gaza apesar da crescente pressão para proteger os civis

Do Vaticano, o Papa Francisco instou os dois lados a implementarem um novo cessar-fogo o mais rápido possível

Registro dos danos após mais um ataque israelense em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, em 3 de dezembro de 2023. Foto: Said Khatib/AFP
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Israel voltou a bombardear a Faixa de Gaza neste domingo 3, apesar da crescente pressão internacional para proteger a população civil e retomar a trégua com o movimento islamista palestino Hamas.

Do Vaticano, o Papa Francisco instou os dois lados a implementarem um novo cessar-fogo o mais rápido possível.

“É triste que a trégua tenha sido rompida. Isso significa morte, destruição e miséria”, lamentou, em um texto lido em italiano por um de seus assistentes após a tradicional oração do Angelus.

A trégua, negociada pelo Catar com a ajuda dos Estados Unidos e do Egito, entrou em vigor em 24 de novembro, depois de mais de um mês de guerra, e expirou na sexta-feira, quando o Exército israelense retomou os bombardeios na Faixa de Gaza.

As forças armadas afirmam ter lançado mais de 400 ataques desde sexta-feira. Segundo o Hamas, que governa o território desde 2017, pelo menos 240 pessoas foram mortas e 650 ficaram feridas.

O Exército bombardeou o norte neste domingo, ao longo da fronteira com Israel, e disparou artilharia. Também multiplicou os seus ataques no sul da Faixa, onde centenas de milhares de palestinos foram deslocados pelo conflito.

Segundo a ONU, 1,7 milhão de habitantes, mais de dois terços da população, abandonaram seu lares desde o início dos confrontos.

A guerra começou em 7 de outubro, quando milicianos islamistas invadiram o sul de Israel, matando 1.200 pessoas, a maioria civis, e sequestrando cerca de 240, segundo as autoridades israelenses.

Em resposta, Israel prometeu aniquilar o Hamas e iniciou uma campanha de ataques aéreos e terrestres em Gaza que, de acordo com o governo do Hamas, deixou 15.523 mortos.

Foguetes sobre Israel

O Exército afirmou na rede social X que havia “eliminado cinco terroristas” e apontado contra “túneis [de] terroristas, centros comando e depósitos de armas” pertencentes ao Hamas.

Autoridades de Gaza indicaram que ao menos sete pessoas morreram em um bombardeio israelense perto da fronteira com o Egito.

Israel anunciou que dois de seus soldados morreram em combate.

Tanto o Hamas quanto o grupo armado Jihad Islâmica afirmaram neste domingo que lançaram foguetes contra cidades israelenses, incluindo Tel Aviv.

A maioria desses dispositivos é interceptada pelo poderoso sistema de defesa aéreo israelense.

O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, declarou no sábado que as novas ações são necessárias para pressionar o Hamas a libertar os reféns.

O Reino Unido anunciou que pretende mandar voos de vigilância sobre Israel e Gaza para ajudar a localizar os sequestrados.

Muitas vítimas

Segundo o Exército israelense, ainda há 137 reféns nas mãos do Hamas e de outros grupos. Durante a trégua, cerca de cem foram liberados em troca de 240 presos palestinos.

O número dois do gabinete político do Hamas, Saleh al Aruri, declarou que a libertação do reféns depende da “libertação de todos nossos prisioneiros, após um cessar-fogo”.

Sem questionar o direito de seu aliado à “autodefesa”, os Estados Unidos criticaram duramente no sábado as mortes de civis na guerra.

“Muitos palestinos inocentes morreram”, disse a vice-presidente Kamala Harris em Dubai.

O  alto comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Turk, advertiu que devido às ordens de evacuação emitidas por Israel “centenas de milhares de pessoas” estavam “confinadas em áreas cada vez menores”.

Não há “lugar seguro em Gaza”, insistiu.

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