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Igreja católica argentina sobe o tom e cobra Milei por falta de alimentos em refeitórios comunitários

Governo do ultradireitista tem 5 milhões de quilos de alimentos estocados, enquanto refeitórios comunitários das organizações sociais estão desabastecidos

Opositores de Milei tomaram as ruas da Argentina nesta segunda-feira. Foto: Diego LIMA / AFP
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A Igreja católica argentina reivindicou, neste domingo (26), do governo do presidente Javier Milei a entrega urgente de toneladas de alimentos armazenadas pelo ministério de Capital Humano, pasta que interrompeu, desde dezembro, o abastecimento dos refeitórios comunitários das organizações sociais para serem auditados.

“Tomamos conhecimento que existem dois depósitos de alimentos no Ministério do Desenvolvimento Social (atual ministério do Capital Humano), que têm cinco milhões de quilos de alimentos guardados (…), em um tempo de emergência alimentar. Isto deve nos chamar à reflexão, [os alimentos] têm que ser entregues rapidamente”, disse o presidente da Conferência Episcopal Argentina, Oscar Ojea, em mensagem gravada e divulgada pelo Episcopado.

Em sua reivindicação, o bispo apelou à “sensibilidade do pão que pode faltar em outras mesas” em um país com mais da metade de sua população de 47 milhões de habitantes na pobreza.

O ministério a cargo de Sandra Pettovello interrompeu a entrega de alimentos para refeitórios de organizações sociais, a maioria críticas do governo, ao afirmar que muitos locais são “inexistentes” e ordenou uma auditoria.

“Preocupa-nos que vá se perdendo esta sensibilidade ante um direito essencial e primário, que é o do alimento. Deus queira que rapidamente estes depósitos sejam abertos para que os irmãos com tantas necessidades possam desfrutar de seu alimento diário”, disse o religioso.

Opositores de Milei tomaram as ruas da Argentina nesta segunda-feira.
Foto: Diego LIMA / AFP

Na quinta-feira passada, o porta-voz da Presidência, Manuel Adorni, admitiu a situação.

“De fato, estes alimentos existem”, disse Adorni. “São alimentos adquiridos pela administração anterior e estão ali porque, segundo as auditorias, um bom percentual dos refeitórios não existiam ou não tinham a quantidade de pessoas que diziam ter”, justificou o funcionário.

“Certamente que [os alimentos] serão distribuídos, é óbvio que vão chegar às pessoas a que tiverem que chegar”, assegurou, sem dar detalhes sobre o processo de entregas.

Recentemente, em uma exposição no Congresso, o chefe de Gabinete, Nicolás Posse, antecipou resultados da auditoria que ainda não foram divulgados e que, segundo afirmou, mostrou que “quase 50% dos refeitórios não existiam”.

Segundo as organizações, há cerca de 45.000 refeitórios comunitários em todo o país, mas uma quantidade não informada deixou de funcionar com a interrupção, em dezembro, do abastecimento que recebia do Estado, enquanto outros o fazem graças a doações privadas.

(Com AFP)

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