Guerra na Síria completa 10 anos e acumula mais de 388 mil mortos

Papa Francisco pediu para que as armas sejam baixadas: 'Renovo meu sincero apelo para que deem exemplos de boa vontade'

Homens sírios carregam bebês em meio a conflito em Aleppo, em setembro de 2016. Foto: Ameer al-Halbi/AFP

Homens sírios carregam bebês em meio a conflito em Aleppo, em setembro de 2016. Foto: Ameer al-Halbi/AFP

Mundo

A guerra na Síria, que entra em seu décimo primeiro ano, deixou ao menos 388.652 mortos, informou neste domingo 14 o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

 

 

Segundo a ONG com sede no Reino Unido, pelo menos 117.388 civis, entre eles mais de 22 mil crianças, morreram desde o início do conflito em 2011. A ONG destaca que os ataques do governo sírio e das milícias aliadas são responsáveis pela maioria das mortes de civis.

A contagem anterior do OSDH, publicada em dezembro de 2020, chegava a mais de 387 mil pessoas mortas desde o começo da guerra. Segundo seu diretor, Rami Abdel Rahman, este é o menor aumento anual de mortes desde o começo dos combates.

Os confrontos diminuíram em 2020 devido ao cessar-fogo no noroeste da Síria e à pandemia de coronavírus contra a qual se concentraram esforços.

Desencadeada em março de 2011 com a repressão de manifestações pró-democracia, a guerra na Síria, que hoje envolve vários grupos beligerantes e potências estrangeiras, entra em seu décimo primeiro ano na segunda-feira.

O OSDH também documentou ao menos 16 mil mortes em prisões governamentais e centros de detenção.

No entanto, segundo o OSDH, este balanço está subestimado porque não inclui cerca de 88 mil pessoas que morreram como consequência das torturas nas prisões do governo.

O governo sírio controla atualmente mais de 60% do território da Síria após uma série de vitórias de suas forças, apoiadas pela Rússia, obtidas desde 2015 contra os extremistas islâmicos e os rebeldes.

A guerra também obrigou mais da metade da população de antes da guerra a fugir, e cerca de 200 mil pessoas desapareceram, segundo o OSDH.

 

Papa pede o fim da guerra na Síria

O papa Francisco pediu neste domingo 14 para “baixar as armas” na Síria e “reconstruir o tecido social”, com motivo do décimo aniversário da guerra mortal que abala o país.

“Renovo meu mais sincero apelo às partes em conflito para que dêem exemplos de boa vontade, para que se abra um raio de esperança para a população exausta”, suplicou o papa após a tradicional oração do Angelus na praça de São Pedro.

“Espero também um compromisso construtivo, decisivo e renovado de solidariedade por parte da comunidade internacional para que, uma vez depostas as armas, seja possível reconstruir o tecido social e iniciar a reconstrução e a recuperação econômica”, acrescentou.

O pontífice lamentou que dez anos do “sangrento conflito na Síria” geraram “um dos maiores desastres humanitários dos nossos tempos: um número indeterminado de mortos e feridos, milhões de refugiados, milhares de desaparecidos, destruição, violência de todo tipo, sofrimento desumano para toda a população, principalmente para os mais vulneráveis como as crianças, as mulheres e os idosos”.

O papa Francisco, que acaba de realizar uma visita histórica ao Iraque, não planeja visitar a Síria, mas pede frequentemente um cessar-fogo neste país “martirizado”.

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