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EUA aumentam taxas sobre produtos chineses

A China advertiu, em resposta, que tomará ‘todas as medidas necessárias’ contra a decisão e reforçou sua oposição a aumentos ‘unilaterais’ que violam as normas da Organização Mundial do Comércio

Xi Jinping e Joe Biden Fotos: GREG BAKER e Nicholas Kamm / AFP
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Os Estados Unidos decidiram aumentar as taxas a produtos procedentes da China avaliados em 18 bilhões de dólares (92 bilhões de reais na cotação atual), apontando a setores estratégicos como veículos elétricos, baterias, aço e minerais críticos, informou nesta terça-feira (14) a Casa Branca.

As taxas sobre os veículos elétricos quadruplicaram, passando de 25% a 100% este ano, informou a Casa Branca a menos de seis meses das eleições entre o presidente democrata Joe Biden, candidato à reeleição, e seu antecessor republicano Donald Trump.

As taxas dos semicondutores dobraram, de 25% a 50%, para 2025, acrescentou.

A meta é pressionar a China a “eliminar suas práticas comerciais desleais em matéria de transferência de tecnologia, propriedade intelectual e inovação”, explicou a Casa Branca em comunicado.

A decisão foi anunciada após uma revisão das taxas impostas durante a guerra comercial entre Washington e Pequim, quando Trump fixou taxas sobre 300 bilhões de dólares em produtos procedentes da China.

Antes do anúncio, a China advertiu que tomaria “todas as medidas necessárias” contra a decisão e reforçou sua oposição a aumentos “unilaterais” que violam as normas da Organização Mundial do Comércio, disse em Pequim o porta-voz da Chancelaria Wang Wenbin.

Quando chegou ao poder, Biden anunciou que revisaria a tributação para decidir se a manteria ou não. Um funcionário americano destacou que foi mantida e acrescentados os 18 bilhões de dólares anunciados nesta terça.

Washington acusa Pequim de apoiar fortemente suas indústrias nestes setores estratégicos, com consideráveis subsídios que provocam uma sobreprodução que as empresas chinesas vendem no mercado mundial, alterando os preços. Isto impede o desenvolvimento de indústrias competitivas.

Medidas “simbólicas”

A preocupação é compartilhada pela União Europeia e outros países como Turquia, Brasil e Índia, destacou um funcionário americano durante uma conferência de imprensa.

O governo Biden já injetou fundos maciços em áreas como a fabricação e pesquisa de semicondutores e impulsiona investimentos verdes. Porém, segundo a principal conselheira econômica de Biden, Lael Brainard, Pequim impulsiona seu crescimento “às custas de outros”.

Em nota, economistas da Oxford Economics estimam que as medidas anunciadas nesta terça-feira são “simbólicas”, do ponto de vista da economia e “não terão um impacto considerável sobre a inflação ou o PIB americano”.

“Este é um sinal para os fabricantes americanos de que o governo Biden quer proteger a indústria contra os veículos elétricos chineses”, disse à AFP Paul Triolo, pesquisador chinês do grupo Albright Stonegridge.

O impacto real para as empresas americanas poderá vir dos impostos aplicados às baterias e às rede de abastecimento, “devido ao domínio das empresas chinesas” nestes setores, acrescentou.

Os Estados Unidos não temem uma rígida retaliação da China, embora, segundo a secretária do Tesouro, Janet Yellen, isso seja “possível”.

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