Fipronil, a substância que contaminou milhões de ovos na Europa

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O nome “fipronil” está na ponta da língua dos europeus: a subsância é a responsável pelo recente escândalo dos ovos contaminados na Holanda, na Alemanha, no Reino Unido e na França e deve conduzir à morte cerca de milhões de galinhas.

Novas informações apontam para a possibilidade de que a Holanda tinha conhecimento do uso do produto desde 2016. Mas, afinal, o que é o fipronil e quais riscos ele apresenta à saúde humana?

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Inseticida doméstico

Em comercialização desde 1994, o fipronil é utilizado como inseticida, agindo nas células nervosas dos insetos, que morrem de hiperexcitação. Ele está presente em vários produtos antiparasitários usados em animais domésticos, como spray ou coleiras anti pulgas, e também contra a infestação de residências.

Na agricultura, a molécula é aplicada contra pragas que atacam o milho, o girassol ou as maçãs verdes. Desde 2004, esse uso foi proibido na França e em vários países europeus, acusado de provocar uma mortalidade predatória das abelhas.

O fipronil é solúvel na gordura, o que significa que ele pode se infiltrar no leite, nos ovos e na carne dos animais que o consomem – razão pela qual seu uso é proibido em vacas ou galinhas destinadas ao consumo humano.

Baixa periculosidade no homem

No entanto, a dose letal dessa substância para o homem é cem vezes superior à da nicotina, que já é, por sua vez, um produto considerado pouco perigoso. O fipronil, como a nicotina, está classificado como um neurotóxico. “Nunca tivemos um caso de intoxicação humana por causa do fipronil”, afirma Jean-François Narbonne, professor emérito em toxicologia alimentar. A longa exposição ao produto é bem mais nociva ao rato, que pode sofrer de problemas no fígado, nos rins e na tireoide.

“É a dose que cria o veneno”, diz Jean-François Narbonne. “Se os criadores dessas galinhas tivessem utilizado grandes quantias de fipronil, elas teriam morrido”. Os consumidores dos ovos, portanto, não correm muito risco além da eventual ingestão de traços da molécula, sem que isso represente um perigo.

“Em grande quantidade, o fipronil pode causar dores de cabeça e conduzir ao coma”, detalha o professor. Mas seria necessário, nesse caso, inalar a solução concentrada, o que é improvável numa situação normal.

A conclusão é de que o caso dos ovos contaminados não representa um grande perigo. Mas as autoridades europeias e nacionais devem corrigir o não-respeito da regulamentação para evitar a generalização do uso do fipronil.

Esta reportagem foi publicada originalmente na RFI Brasil.

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