Coronavírus: EUA compram todas as doses de potencial vacina da PFizer e Biontech

Decisão faz parte de estratégia agressiva do governo de Donald Trump para imunizar os americanos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Chip Somodevilla/Getty Images/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Chip Somodevilla/Getty Images/AFP

Mundo,Saúde

Os Estados Unidos fecharam um acordo de US$ 1,95 bilhão para garantir milhões de doses de uma potencial vacina contra o novo coronavírus, decisão que faz parte de uma estratégia agressiva para imunizar os americanos no começo de 2021.

O governo de Donald Trump pagará esta quantia para obter 100 milhões de doses de uma vacina desenvolvida pela aliança germano-americana Biontech/Pfizer, anunciaram os dois laboratórios nesta quarta-feira. Os americanos “poderão comprar até 500 milhões de doses adicionais”, indicaram as empresas em seu comunicado.

Este é o contrato mais importante assinado dentro da operação Warp Speed, desenhada para acelerar o desenvolvimento de uma vacina mediante o financiamento de testes clínicos e a construção de unidades de fabricação.

A empresa Biontech e o laboratório americano Pfizer desenvolvem há meses uma vacina, que se encontra em fase decisiva de testes clínicos em larga escala, após resultados iniciais animadores.

Apesar de o chefe dos Institutos Americanos de Saúde ter dito que apoia a ideia de que uma vacina contra a Covid-19 deveria ser um “bem público” global, o presidente Trump mostrou claramente sua prioridade: vacinar os americanos o quanto antes.

O governo Trump joga em várias frentes, uma vez que é impossível saber, na atual etapa, qual das dezenas de vacinas experimentais sairá primeiro. Desde fevereiro, os Estados Unidos já investiram bilhões de dólares em vários programas, entre eles os de Johnson & Johnson, Moderna e AstraZeneca/Oxford.

“Estamos criando uma carteira de vacinas, para aumentar as chances de os americanos terem pelo menos uma vacina segura e eficaz até o fim do ano”, comentou o secretário de saúde, Alex Azar. Ao contrário de Europa e outros países, os Estados Unidos dão os próprios passos e não participam da arrecadação de fundos internacional.

Primeiros resultados animadores

O objetivo da aliança Biontech/Pfizer é “fabricar 100 milhões de doses até o fim de 2020 e, possivelmente, mais de 1,3 bilhão até o fim de 2021”, indicaram os laboratórios. Os EUA devem receber as primeiras doses “assim que a Pfizer conseguir fabricar [a vacina] com sucesso e obtiver a aprovação” das autoridades de saúde americanas.

No começo do mês, as duas empresas anunciaram resultados preliminares positivos, após testarem a vacina em 45 pessoas. Segundo Pfizer e Biontech, a vacina é “capaz de gerar uma resposta de anticorpos neutralizantes em seres humanos com doses relativamente baixas”. Serão necessárias, porém, duas doses para imunizar uma pessoa e o reforço deverá ser aplicado sete dias após a primeira injeção, indicou ontem à AFP uma porta-voz da Biontech.

A partir de agora, deve ter início uma fase de testes clínicos em larga escala em Brasil e Argentina. “Também estamos em conversas avançadas com muitos outros governos”, revelou Ugur Sahin, presidente da Biontech.

O governo britânico anunciou ontem um acordo para comprar 30 milhões de doses da aliança germano-americana.

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Agência de notícias francesa, uma das maiores do mundo. Fundada em 1835, como Agência Havas.

Compartilhar postagem