Congresso espanhol barra nomeação do socialista Pedro Sánchez

Espanha tem até 23 de setembro para tentar formar o governo. Caso contrário, os eleitores terão que voltar às urnas

Presidente da Espanha, Pedro Sánchez - Foto: Oscar Del Pozo/AFP

Presidente da Espanha, Pedro Sánchez - Foto: Oscar Del Pozo/AFP

Mundo

O Congresso espanhol rejeitou nesta quinta-feira 25 o pedido do socialista Pedro Sánchez para formar o governo. Há quatro meses, desde que realizou eleições gerais antecipadas, a Espanha está em busca de um acordo. O país tem até 23 de setembro para tentar um novo acordo. Caso contrário, os espanhóis terão que voltar às urnas.

O chefe do governo vem tentando, sem sucesso, um acordo com o partido Podemos. “Não foi possível”, reconheceu Sánchez, dirigindo-se aos deputados minutos antes da votação. O líder socialista recebeu 124 votos a favor, 155 contra e 67 deputados se abstiveram, incluindo os do Podemos.

Sánchez informou que as diferenças com o partido da esquerda radical não se deram em relação ao programa, mas sim à divisão dos ministérios. Segundo ele, os socialistas ofereceram ao Podemos as pastas de Saúde, Habitação, Economia Social e Igualdade, mas o partido solicitava as pastas do Trabalho, Ciência e Universidades.

“Eles literalmente nos pediram o governo”, disse à rádio Cadena SER a vice-presidente do governo espanhol, a socialista Carmen Calvo. Os pedidos do Podemos foram interpretados como a vontade de “dominar todo conselho de ministros, para ter um governo paralelo”.

O principal negociador do Podemos, Pablo Echenique, acusou o PSOE de romper a negociação na quarta-feira 24 à tarde e disse que “eles nos ofereceram um pequeno papel (…) sem competências para fazer políticas públicas que melhorem a vida das pessoas”.

Fragmentado e sem maioria

O improvável acordo entre Podemos e PSOE é a chave para convencer os partidos regionais, que prometeram facilitar a investidura em caso de desbloqueio. Mesmo se for bem-sucedida, essa coalizão terá, no entanto, margem limitada para realizar grandes reformas, segundo Antonio Barroso, analista da consultoria londrina Teneo.

Com 165 deputados dos 350, “não teriam maioria em um Parlamento muito fragmentado”, e “a entrada do Podemos limitará ainda mais a margem de manobra de Sánchez para negociar acordos políticos específicos” com outras forças, dado o antagonismo entre a esquerda radical e as partes de centro-direita, Cidadãos e PP.

(Com informações da AFP)

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