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Hamas e Catar anunciam prorrogação de 48 horas na trégua em Gaza

Prazo seria encerrado hoje; acordo envolve cessar-fogo e liberação de reféns

Registro de um ataque israelense em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, em 9 de novembro de 2023. Créditos: SAID KHATIB / AFP
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O Hamas e o Catar anunciaram, nesta segunda-feira 27, uma prorrogação de 48 horas da trégua atualmente em vigor na Faixa de Gaza, no mesmo dia em que 11 reféns israelenses foram libertados em troca de 33 palestinos que estavam em prisões israelenses.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al Ansari, anunciou na rede social X, antigo Twitter, a libertação de 33 civis palestinos em troca de 11 israelenses que estavam em cativeiro em Gaza.

“Os libertados das prisões israelenses incluem 30 menores e 3 mulheres, enquanto que os israelenses libertados de Gaza incluem 3 cidadãos franceses, 2 cidadãos alemães e 6 cidadãos argentinos”, todos com dupla cidadania, acrescentou o porta-voz.

O Exército israelense indicou que os 11 reféns já chegaram a Israel.

Apesar do anúncio da prorrogação da trégua por Hamas e Catar, Israel ainda não confirmou a informação. O cessar-fogo, negociado com a mediação do Catar, do Egito e dos Estados Unidos, entrou em vigor na sexta-feira por um período inicial de quatro dias.

O pacto contempla a libertação de três palestinos presos por cada refém e permitiu a entrada de ajuda humanitária em Gaza, sitiada e devastada após sete semanas de bombardeios israelenses, lançados em resposta ao ataque sangrento do Hamas em Israel em 7 de outubro.

O grupo islamista, que governa o minúsculo território palestino desde 2007, informou antes de confirmar a extensão da trégua que estava preparando uma nova lista de reféns que poderiam ser libertados.

A União Europeia e a Otan aumentaram, nesta segunda-feira, a pressão para prolongar o cessar-fogo, depois de o presidente dos EUA, Joe Biden, ter feito o mesmo.

Um porta-voz do governo israelense informou que o país propôs nesta segunda-feira ao Hamas “uma opção” para estender a trégua e receber “50 reféns adicionais”.

A opinião pública israelense, traumatizada pelo ataque sem precedentes perpetrado pelo Hamas em outubro, exige a libertação de mais reféns.

O acordo inicial previa a libertação de 50 reféns dos mais de 200 detidos em Gaza e a libertação de 150 prisioneiros palestinos em prisões israelenses.

“Mais reféns liberados”

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou a Joe Biden em uma reunião no domingo que ao finalizar a trégua voltará ao seu objetivo de “eliminar o Hamas”.

Nesta segunda, o primeiro-ministro solicitará um “orçamento de guerra” de 30 bilhões de shekels (quase 8 bilhões de dólares, 39 bilhões de reais).

“Meu objetivo e o nosso é garantir que esta pausa continue além de amanhã (segunda-feira) para que possamos ver mais reféns liberados e mais ajuda humanitária”, declarou o presidente dos Estados Unidos.

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, instou uma trégua “duradoura enquanto se trabalha por uma solução política”.

“Peço uma extensão da pausa que permitirá trazer o alívio que o povo de Gaza tanto necessita, e a liberação de mais reféns”, disse, por sua vez, Jens Stoltenberg, secretário-geral da Otan.

O Irã, que apoia o Hamas, também pediu que a trégua entre em “um processo duradouro”, indicou Nasser Kanani, porta-voz da Chancelaria.

As famílias dos reféns israelenses sequestrados pelo Hamas e que devem ser libertados nesta segunda-feira foram informadas, indicou o gabinete de Netanyahu.

Desde sexta-feira, 39 reféns e 117 presos palestinos foram libertados devido ao acordo. Outros 19 reféns, a maioria tailandeses que trabalhavam em Israel, foram liberados à margem do acordo.

Moradores de Gaza presos

Israel iniciou a ofensiva contra a Faixa de Gaza após o ataque do Hamas em 7 de outubro, quando 1.200 pessoas foram assassinadas por combatentes islamistas e outras 240 foram sequestradas e levadas para a Faixa de Gaza, segundo as autoridades do país.

Entre os mortos estão mais de 300 militares ou integrantes das forças de segurança israelenses.

Em Gaza, alvo de bombardeios incessantes e de uma ofensiva terrestre desde 27 de outubro, a operação israelense deixou 14.854 mortos, incluindo 6.150 menores de idade, segundo o Ministério da Saúde controlado pelo Hamas.

A comissão de prisioneiros da Autoridade Palestina acusa o Exército israelense de ter detido mais de 100 moradores de Gaza durante a ofensiva, temendo “que tenham sido assassinados”.

Israel proporcionou uma vez “o número de 105 prisões, mas sem nenhum detalhe sobre o destino dessas pessoas”, indicou Qaddura Fares, chefe desse órgão governamental.

“Sem água potável e comida”

A trégua ofereceu um alívio aos moradores de Gaza, mas a situação humanitária continua “perigosa” e as necessidades “sem precedentes”, afirmou a Agência da ONU para os Refugiados Palestinos, a UNRWA.

Desde sexta-feira, centenas de caminhões com ajuda entraram na Faixa de Gaza, onde Israel aplica desde 9 de outubro um “cerco total”, que impede o abastecimento de água, comida, energia elétrica e remédios.

“Deveríamos enviar 200 caminhões por dia durante pelo menos dois meses para responder às necessidades”, declarou à AFP Adnan Abu Hasna, porta-voz da UNRWA, antes de informar que em algumas áreas não há “água potável, nem comida”.

Mais da metade das residências do território foi danificada ou destruída pela guerra, que provocou o deslocamento de 1,7 milhão dos 2,4 milhões de habitantes, segundo a ONU.

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