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Carta com centenas de assinaturas rechaça Weintraub no Banco Mundial

Entidades e personalidades protestam contra nomeação do ex-ministro da Educação à instituição multilateral

O ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub. Foto: Walterson Rosa/MEC
O ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub. Foto: Walterson Rosa/MEC

Uma carta com uma lista de assinaturas repudia a nomeação do ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, para cargo no Banco Mundial. A mobilização ocorre após o governo do presidente Jair Bolsonaro dar a baixa no MEC na quinta-feira 18. O documento é direcionada a embaixadores dos países que estão encarregados de aprovar a nomeação de Weintraub ao grupo que o Brasil faz parte: Colômbia, Filipinas, Equador, República Dominicana, Haiti, Panamá, Suriname e Trinidad e Tobago.

O texto tem a assinatura das entidades Conectas Direitos Humanos, Instituto Urbem, US Network for Democracy in Brazil, Rede Brasileira pela Integração dos Povos, 342Artes, 342Amazônia, Associação Brasileira de ONGs (Abong), Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), Ecoa, International Rivers, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Instituto Socioambiental (Isa), Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs), Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) e International Accountability Project.

Há a adesão de figuras como o cantor Chico Buarque, a economista Laura Carvalho, o ex-embaixador Rubens Ricupero, o ator Paulo Betti, o cineasta Fernando Meirelles, a atriz Andrea Beltrão, o sociólogo Ricardo Abramovay, a antropóloga Heloisa Buarque de Almeida, o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), o deputado federal Edmilson Rodrigues (PSOL-PA), a deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP), o senador Jean Paul Prates (PT-RN), entre outros. São cerca de 300 assinaturas.

Weintraub é a antítese do multilateralismo, diz carta

Os assinantes da carta escrevem que Weintraub é a antítese de tudo o que o Banco Mundial precisa para representar uma política de desenvolvimento e de multilateralismo. Em seguida, elencam cinco valores que o ex-ministro da Educação demonstrou desprezar.

No primeiro item, a carta acusa Weintraub de ignorar enormes evidências. espalhar notícias falsas e usar a ideologia sem considerar as históricas desigualdades raciais, sociais e econômicas da sociedade brasileira.

Em seguida, o documento afirma que o ex-chefe da Educação tem fracas habilidades de gestão e teve sua ineficiência comprovada por estudos realizados no Congresso Nacional, relacionados às metas não atingidas pela pasta.

O texto cita ainda a defesa de Weintraub para manter o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na data originalmente prevista, como um exemplo de que ele apresenta falta de entendimento e de capacidade para lidar com injustiças sociais e econômicas através de políticas públicas.

Lembra-se também dos conflitos criados por Weintraub contra a China, para informar que o ex-ministro está sendo processado por crime de racismo e evidenciar que o ex-ministro despreza os valores do multilateralismo.

Por fim, o manifesto diz que Weintraub tem conduta incompatível com os padrões de integridade ética e profissional, após o registro de declarações agressivas e desrespeitosas.

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